Chávez ameaça suspender venda de petróleo à Europa

Presidente venezuelano diz que petróleo 'não deve chegar' ao país que aplicar a nova lei de imigração ilegal

AP e Efe,

19 de junho de 2008 | 20h52

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou na noite desta quinta-feira, 19, suspender a venda de petróleo aos países europeus, por causa da nova lei européia contra a imigração clandestina. Em entrevista coletiva com o chefe de Estado eleito do Paraguai, Fernando Lugo, Chávez classificou a iniciativa da União Européia como "degradante" e afirmou que o petróleo venezuelano não chegará aos países que adotarem a medida.   Veja também: Espanha propõe endurecimento de lei de imigração Brasil 'lamenta' endurecimento de legislação de imigração na UE Parlamento europeu aprova expulsão de imigrantes ilegais   O presidente venezuelano disse esperar que "os governos europeus se pronunciem contra" a nova lei e, em seguida, questionou: "Se a diretiva for aplicada, para que mais cúpulas com a União Européia?". "Deve-se rejeitar com toda a alma essa chamada direção do retorno. Tomara que todos nos pronunciemos em nome da dignidade de nossos povos", ressaltou Chávez, que atribuiu à direita européia a aprovação da iniciativa no Parlamento Europeu.   "Sabemos que os movimentos de esquerda tentaram frear essa direção. Infelizmente, na Europa domina a direita e a extrema-direita", afirmou, antes de acrescentar, em referência a formações de extrema-direita não citadas, "algumas próximas ao fascismo."   O líder venezuelano destacou ainda que "será necessário lembrar à Europa" que "aqui vieram legiões de europeus" no século XX, que "chegavam em barcas, sem um centavo, mas nenhum deles foi maltratado nem enviado de volta."   Com a regra aprovada esta semana, o Parlamento Europeu "violou todos os direitos humanos e o direito internacional e se institui o direito de deter e prender por até 18 meses qualquer imigrante ilegal", destacou Chávez.   Minutos antes, o presidente eleito do Paraguai também expressou sua rejeição perante a regra européia e afirmou que "a migração é um direito internacional". A rejeição a essa iniciativa "vai unir mais os povos da América Latina", apontou.   Chávez lembrou ainda que na recente Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC), realizada em Lima os europeus vieram fazer discursos "e prometer o mundo da união, da integração". Então, "que demonstrem isso", ressaltou.   "Esperamos que os governos europeus se pronunciem contra essa decisão. Para que mais cúpulas com a União Européia, para nos dizerem mentiras, uma farsa de discursos e promessas?", questionou.   O chefe de Estado venezuelano convidou os governantes da América Latina a "defender unidos a dignidade" da América e defendeu esperar "para ver o que acontece", mas, imediatamente, afirmou que os investidores europeus não fazem falta na Venezuela.   Ele insistiu que serão revistos os investimentos empresariais procedentes da nação que adotasse a medida. Chávez ressaltou que, com essas medidas, não busca "prejudicar qualquer pessoa", e que só utiliza as "armas" das quais dispõe para "defender-se" como governante de um país latino-americano.  

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