Chávez ameaça suspender vendas de petróleo para os EUA

Ameaça se cumpriria em resposta às vitórias judicias da Exxon Mobil contra a PDVSA, estatal de petróleo do país

Associated Press,

11 de fevereiro de 2008 | 19h24

O presidente venezuelano Hugo Chávez ameaçou suspender a exportação de petróleo para os EUA no domingo, 10, caso a Exxon Mobil vença uma disputa judicial para congelar bilhões de dólares em recursos venezuelanos no exterior. O governo americano não respondeu às ameaças de Caracas, que já haviam sido feitas em outras ocasiões. Veja também:Chávez ameaça desapropriar fábrica da Nestlé e ParmalatVenezuela promete combater 'terrorismo judicial' da Exxon Após sofrer a nacionalização de um projeto petrolífero multibilionário na Venezuela pela Petroleos de Venezuela (PDVSA), a Exxon Mobil entrou com uma ação judicial contra a estatal em cortes dos EUA, Inglaterra e Holanda. A justiça britânica bloqueou mais de US$ 12 bilhões em recursos da PDVSA para garantir o pagamento de uma possível indenização à companhia americana. "Se você terminar congelando (os recursos venezuelanos) e isso nos prejudicar, nós iremos prejudicar você", afirmou Chávez durante seu programa semanal no rádio e televisão. "Você sabe como? Nós não iremos exportar petróleo para os EUA. Tome nota, senhor Bush, 'senhor Perigoso'", ameaçou. O presidente venezuelano ameaçou por várias vezes interromper as exportações de petróleo para os EUA, seu principal importador, se Washington tentasse demovê-lo de seu cargo. O pronunciamento de domingo estendeu a ameaça às tentativas das companhias petrolíferas de desafiarem as nacionalizações de seu governo, através de medidas judiciais. "Eu falo para o Império (forma como Chávez se refere aos EUA), porque eles são os chefes: continuem e vocês verão que nós não iremos exportar mais uma gota de óleo para o império americano", afirmou o presidente no seu programa. "Os fora-da-lei da Exxon Mobil nunca mais vão nos roubar", acrescentou, acusando ainda a Irving, uma companhia petrolífera do Texas, de agir com o consentimento de Washington. A porta-voz da Exxon Mobil, Margaret Ross, disse que a empresa não quer comentar o caso. A embaixada dos EUA em Caracas não retornou o contato. Pagamentos na Suíça Operadores do mercado disseram que a PDVSA pediu para seus clientes fazerem seus pagamentos a empresa por meio do UBS, banco privado com sede na Suíça - país com leis que protegem as contas bancárias de seus clientes. "Agora, todo dinheiro tem que ir para o UBS na Suíça", disse um operador que não quis se identificar. Um porta-voz da companhia estatal disse que até o momento a PDVSA não tem uma posição oficial sobre assunto.  A Venezuela é responsável por cerca de 12% das importações de petróleo dos Estado Unidos, segundo dados de novembro passado, no último relatório do Departamento de Energia do país. O país exporta 1,2 milhão de barris de óleo para os EUA, tornando-se seu 4º maior exportador, depois do Canadá, Arábia Saudita e México. O ministro do petróleo da Venezuela, Rafael Ramirez, argumentou que as sentenças judiciais vencidas pela Exxon Mobil "não têm efeito" sobre a PDVSA e são apenas "medidas transitórias" enquanto a Venezuela representa o caso nas cortes americanas e britânicas. Outras grandes companhias americanas, incluindo a Chevron, a francesa Total, a britânica BP PLC e a StatoilHydro ASA da Noruega negociaram acordos com a Venezuela para continuarem como sócias minoritárias no projeto petrolífero de Orinoco.

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