Chávez anistiará acusados de envolvimento no golpe de 2002

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,anunciou que perdoará seus opositores acusados de participar dogolpe que o afastou temporariamente do poder há cinco anos, umamedida conciliatória adotada na esteira de sua derrotaeleitoral em dezembro. Ao fazer o anúncio em 31 de dezembro de 2007, Chávez disseque será publicado um decreto extraordinário em um ou dois diascomo uma mostra de que seu governo não persegue seus rivaispolíticos. "Queremos o caminho da paz e que haja um forte debateideológico e político, mas em paz", disse ele em uma mensagemna segunda-feira na emissora de televisão estatal. O líder não especificou quantas pessoas seriam beneficiadaspela anistia, mas o número ultrapassaria os 60, que são aspessoas processadas por terem participado de uma paralisação davital indústria petrolífera da nação sul-americana e de eventosque tiraram Chávez do poder por cerca de 48 horas em 2002. Chávez tem enfrentado uma dura oposição, principalmente desetores da classe média e rica, a suas políticas esquerdistasfocadas nos pobres, onde conta com um grande apoio. Em 2002, um grupo de militares e empresários lideraram oque Chávez qualifica como um golpe fracassado de Estado que oforçou a sair do poder, embora voltasse dois dias depois pornumerosas manifestações a seu favor. Adversários do líder disseram que as pessoas que estãopresas por crimes relacionados ao episódio são presos políticose acusam o governo Chávez de perseguição contra aqueles queassinaram um documento de apoio ao presidente de fato que osubstituiu temporariamente. Em 2007, Chávez tomou como bandeira política uma reformaconstitucional que lhe permitiria a reeleição indefinida e lhedava plenos poderes para avançar rumo a um Estado socialista. Mas sua proposta foi rejeitada em um referendo no início dedezembro. Desde então, a oposição tem feito um apelo pelareconciliação. (Por Frank Jack Daniel)

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