Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Chávez anuncia nacionalização da indústria metalúrgica

Venezuelano estatiza 5 siderúrgicas e a maior empresa de cerâmica, controlando setores estratégicos

22 de maio de 2009 | 05h32

Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou, nesta quinta-feira, 21, a nacionalização de várias pequenas companhias de ferro e fábricas de cerâmica na Venezuela, como parte de seus planos para adotar uma economia socialista no país.

 

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"O setor deve ser nacionalizado, não há nada o que discutir", afirmou Chávez durante um ato público com trabalhadores metalúrgicos no Estado de Bolívar (sudeste do país), transmitido em cadeia nacional de rádio e TV. Segundo a BBC, com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias, para serem incorporadas a um complexo industrial "socialista" que o governo pretende construir. Estas empresas contam com capitais japoneses, mexicanos, europeus e australianos, e operam na região de Guiana, no sul da Venezuela.

 

Há vários anos Chávez impulsiona um plano para dotar o setor público de maior peso econômico e produtivo em detrimento do privado, tomando o controle de companhias petrolíferas, elétricas e de cimento, assim como a Sidor, a maior siderúrgica andina. Em meio à grande queda nos preços internacionais de petróleo, o presidente tem se concentrado em tomar o controle de empresas de serviços petrolíferos e parte das operações da gigante americana da área de alimentos Cargill. Esta semana, Chávez pode anunciar um acordo com o banco espanhol Santander para adquirir sua filial na Venezuela. 

 

De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado. "Estas empresas têm que estar sob controle dos operários (...) faz tempo que deveríamos ter feito. Isso é justiça social", disse Chávez.

 

Além das siderúrgicas, também será nacionalizada a fábrica de cerâmicas Carabobo, a maior empresa do ramo no país, após ter ameaçado comprá-la em 2008 caso não fosse solucionado um conflito que envolvia seus trabalhadores.

 

De acordo com os sindicatos venezuelanos, a Matesi pertence ao consórcio argentino-italiano Teching, que era também proprietário da Siderúrgica do Orinoco (Sidor), a maior indústria do ramo na região andina, nacionalizada no ano passado e pela qual o governo pagará US$1,97 bilhão. Já as empresas Orinoco Irons e Venprecar pertencem a um consórcio do qual faz parte a empresa anglo-australiana BHP Billiton, uma das maiores mineradoras do mundo.

 

Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos. Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento. Em maio do ano passado, o governo já havia decretado a nacionalização da siderúrgica Ternium-Sidor.

 

Na avaliação de Chávez, aumentar o papel do Estado sobre o setor produtivo do país, ao reverter as privatizações realizadas pelos governos anteriores, é um dos caminhos para consolidar o chamado "socialismo do século 21". Nos próximos dias, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander.

 

Texto atualizado às 7h30.

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