Chávez anuncia redução de 6,7% no orçamento deste ano

Corte se deve à queda do preço do petróleo, que diminuiu de US$ 60 para US$ 40 nos últimos meses

Agências internacionais

21 de março de 2009 | 20h49

O presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou neste sábado, 21, o plano de medidas anticrise que o seu governo pretende tomar para enfrentar a abrupta queda nos preços do petróleo e seus efeitos na economia venezuelana, no qual efetua corte de 6,7% no orçamento de 2009. O que o presidente chama de "medidas para enfrentar esta grande ameaça que se originou neste modelo econômico tão defendido pela burguesia".

 

A redução no orçamento se deu por conta da diminuição da cotação do petróleo, fonte de boa parte da renda do país. O barriu teve uma queda no preço de US$ 60 para US$ 40. Ele afirmou também que enviará à Assembleia Nacional uma reformulação de impostos para se adequar à queda do preços do petróleo.

 

Para o presidente, por causa da crise a Europa "praticamente entrou em depressão", produto de uma "gravíssima crise do capitalismo".

 

"Há países que se secaram (...), não têm liquidez interna nem quem lhes empreste. A Espanha mesmo está recebendo ajuda da União Europeia (UE) para poder caminhar um pouco", disse Chávez em pronunciamento transmitida pela rede de emissoras estatais.

 

O governante venezuelano, que também confirmou que participará de uma reunião em Doha entre países árabes e sul-americanos na próxima semana, tentará o apoio internacional a seu plano contra a crise, que inclui investimentos para gerar mais empregos em seu país.

 

Chávez lembrou que cinco milhões de pessoas perderam seus empregos no ano passado nos Estados Unidos, e que outras 650 mil foram demitidas em cada mês de 2009. Ele chegou a convidar o presidente americano, Barack Obama, a aderir ao socialismo nos Estados Unidos, dizendo que a crise não terá solução dentro do sistema capitalista.

 

Em contraste, reiterou, o desemprego na Venezuela caiu em fevereiro para 7,4%, contra 15,2% desse mesmo mês de 1999, pouco antes de chegar ao poder.

 

Salário

 

O presidente anunciou também um aumento de 20% do salário mínimo nacional, dividido em duas parcelas de 10%, a primeiro em maio e a segunda em setembro deste ano. O salário mínimo, que atualmente é de 799 bolívares (R$ 841), terá um impacto fiscal de 3,407 bilhões de bolívares (R$ 3,584

bilhões), disse Chávez.

 

O último aumento do salário mínimo, que Chávez decretou na véspera do Dia do Trabalhador do ano passado, foi de 30%, porcentagem quase idêntica a dos 30,9% de inflação em 2008.

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