Chávez anuncia reforma ministerial e muda até vice-presidente

Saída de Jorge Rodríguez pode significar uma tentativa de aproximação com a oposição venezuelana

Reuters e Associated Press,

04 de janeiro de 2008 | 08h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na quinta-feira, 3, uma mudança radical em seu governo, que afetará quase metade dos ministérios e incluirá até o vice-presidente. A decisão ocorre quando se completa um mês de sua derrota no referendo que pretendia reformar a Constituição. Após sofrer em dezembro o primeiro revés eleitoral desde que assumiu o poder, em 1999, o presidente alterou seu agressivo discurso ideológico por um mais pragmático antes do pleito deste ano para governos estaduais e municipais. "Creio que nossa campanha eleitoral tem que se basear nos problemas concretos das pessoas. Menos teoria e mais prática", disse Chávez em declarações por telefone a um programa da TV estatal. O mandatário afirmou que mudará 13 dos 28 membros do gabinete ministerial, incluindo o vice-presidente. Segundo ele, as indicações completas serão públicas uma vez que ele tenha informado pessoalmente a todos os afetados. Jorge Rodríguez, atual número dois do governo e apontado por setores chavistas como responsável pela derrota no referendo, será substituído pelo ministro da Habitação, Ramón Carrizales.   Carrizales será substituído pelo coronel Jorge Isaac Pérez Prado na pasta da Infra-Estrutura. O atual ministro de Telecomunicações, Jesse Chacón, irá para o posto de secretário da Presidência, em substituição a Hugo Cabezas. O Ministério das Telecomunicações passará a ser chefiado pela atual presidnete da companhia telefônica nacional (Cantv), Socorro Hernández e o presidente da emissora multiestatal Telesur, Andrés Izarra, assumirá o Ministério da Comunicação e Informação no lugar de William Lara.   Aproximação da oposição A troca de Rodríguez - psiquiatra de 41 anos e bastante combativo com a oposição - por Carrizales pode ser interpretada como um sinal de diálogo com adversários políticos do presidente. "Não podemos nos deixar arrastar por correntes extremistas, nós não somos extremistas e nem podemos ser. Não. Temos que buscar alianças, incluindo com a burguesia", disse Chávez.

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