Chávez apela à mídia privada para esclarecer crise elétrica

O governo venezuelano, que costuma acusar meios de comunicação "oligarcas" e "burgueses" de mentirem ou conspirarem contra a "revolução socialista" do presidente Hugo Chávez, apelou nesta sexta-feira a emissoras privadas de rádio e TV para que conscientizem a população sobre a atual crise energética.

REUTERS

15 de janeiro de 2010 | 18h54

Agoniado pelo impacto dos frequentes apagões sobre o país e a sua popularidade, Chávez lançou uma campanha de economia de luz e água, em que chegou a sugerir à população que limitasse os banhos a três minutos.

O vice-presidente Ramón Carrizález se reuniu nesta sexta-feira com diretores de algumas emissoras para pedir que eles apresentem informações objetivas sobre a crise e sobre as medidas adotadas pelo governo para enfrentá-la.

"É muito importante a linha editorial de como tratar o tema, de como levar tranquilidade às pessoas e evitar esses porta-vozes que levam é desassossego e que semeiam o temor desinformado", disse Carrizález no fim do encontro.

Ele acrescentou que as emissoras "manifestaram a vontade de contribuir, porque é um problema nacional, é um problema do Estado, de todos os venezuelanos (...), para eliminar o desperdício e fomentar a economia."

Não ficou claro se todas as emissoras foram convidadas. O canal de notícias Globovisión, adversário de Chávez, não foi ao encontro. Um grande jornal visto como oposicionista tampouco.

Especialistas e oposicionistas atribuem a crise à falta de investimentos no setor, aos desvios de verbas e à negligência. Chávez, no poder há 11 anos, diz que a culpa é da seca e da incompetência de governos anteriores.

O diretor do canal privado Televen, Carlos Croes, disse que as emissoras têm "obrigação de cooperar (...) sempre que o Estado se comprometa a fornecer a matéria-prima, os elementos precisos e objetivos para uma boa mensagem."

Algumas rádios e TVs privadas costumam se queixar do pouco ou nenhum acesso a funcionários de alto escalão, e dizem que as emissoras estatais, especialmente a VTV, têm privilégios informativos.

Críticos acusam Chávez de cercear a liberdade de expressão e de buscar hegemonia midiática, mas o governo afirma que precisa conter os ataques e mentiras lançados por seus inimigos nas emissoras privadas.

No ano passado, o governo determinou o fechamento de várias rádios por diversas causas, e em 2007 decidiu não renovar a concessão da popular RCTV, acusada por Chávez de participar da tentativa de golpe de Estado de 2002.

No fim da noite de quarta-feira, falando por telefone à VTV, Chávez anunciou a suspensão do polêmico racionamento elétrico em Caracas, que duraria quatro horas a cada dois dias. Ele admitiu que a medida, que entrara em vigor horas antes, causou inconvenientes, e demitiu o ministro da Energia Elétrica.

O racionamento continua em vigor no interior do país, o que críticos disseram ser uma forma de discriminação.

(Reportagem de Ana Isabel Martínez e Eyanir Chinea)

Tudo o que sabemos sobre:
VENEZUELACHAVEZRACIONAMENTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.