Chávez aprovou reforma na Constituição, diz fonte do governo

Presidente venezuelano teria vencido referendo com vantagem de até 8 pontos; abstenção chegou a 50%

Agências internacionais,

02 de dezembro de 2007 | 19h15

Fontes ligadas ao governo venezuelano que lidam com três pesquisas de boca de urna afirmaram que o presidente do país, Hugo Chávez, conseguiu a aprovação para a sua Constituição, garantindo a sua reeleição ilimitada. Segundo a Reuters, o líder teria conseguido o respaldo da população com uma margem de 6 a 8 pontos de vantagem. Dados iniciais indicam ainda que cerca de 50% da população participou do plebiscito.   Veja também: Chávez diz que aceita qualquer resultado Venezuela vota em clima tranqüilo Venezuela dá 'lição de democracia', diz CNE Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma   Acompanhe a trajetória de Hugo Chávez       As enquetes, divulgadas apesar de a lei proibir a publicação de pesquisas na Venezuela antes dos resultados oficiais que serão anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), foram realizadas pela PLM Consultores, Datanálisis e o Instituto Venezuelano de Análise de Dados (Ivad) e refletem todas a vitória do "sim". A PLM Consultores dá 54% ao "sim" e 46% ao "não"; a Datanalisis 56% ao "sim" e 44% ao não; e o Ivad 53% ao "sim" e 47% ao "não".   Concordando com estas pesquisas, o ministro venezuelano de Informação, William Lara, disse que a oposição conhece o resultado do referendo e pediu que seus líderes o reconheçam para honrar a palavra que este sábado empenharam perante as autoridades eleitorais. "O comando do 'não' sabe qual é o resultado. É a hora de cumprirem a palavra que ontem empenharam perante o CNE que reconheceriam o resultado", disse Lara ao canal Venevisión.   Em resposta, o dirigente opositor Gerardo Blyde pediu ao governo venezuelano que não perca a calma perante os dados oficiosos que sobre o referendo e que não tente antecipar resultados veladamente.   As autoridades eleitorais venezuelanas ordenaram o encerramento das mesas de votação em todo o país, exceto onde ainda há filas, iniciando o processo de apuração do referendo que decidirá o futuro da Constituição do país. A votação seria encerrada oficialmente às 16 horas, mas por conta das longas filas nos locais de votação, as urnas permaneceram abertas até que toda a população votasse. Centenas de pessoas compareceram aos centros eleitorais desde a madrugada para esperar pela abertura do pleito, por volta das 6 horas.   O referendo aconteceu pacificamente durante todo o dia, apesar da prisão de 75 pessoas, a maioria por delitos como destruir material eleitoral e seis por tentar votar duas vezes, segundo afirmou o general Jesús González, chefe da segurança das eleições. Mais de 140 mil militares foram responsáveis pela segurança do plebiscito.   Ao votar, Chávez afirmou, muito confiante, que aceitará o resultado "seja ele qual for". O líder chegou cercado por mais de 20 guardas vestidos como ele, de camisa vermelha.   Simpatizantes do governo em várias ruas e praças de diversas cidades iniciaram o dia às três da madrugada disparando fogos de artifício, enquanto outros formaram caravanas de veículos e percorreram as ruas tocando a alvorada militar, usada nos quartéis para despertar a tropa, em volumes ensurdecedores, como o fizeram em eleições anteriores.   Chávez alertou seus oponentes que ele não tolerará tentativas de estimular a violência e ameaçou cortar as exportações de petróleo para os EUA se Washington tentar interferir. A Venezuela é um dos maiores fornecedores de petróleo para os EUA, que é o maior comprador do produto venezuelano.   Resistência   Venezuelanos de várias posições políticas vêem o referendo como um ponto de virada sem volta. Alguns oponentes de Chávez descrevem a votação como um voto de protesto. Enquanto o governo venezuelano afirma que Chávez está na frente nas pesquisas, outras enquetes citadas pela oposição indicam forte resistência, o que seria uma mudança para um líder que facilmente se reelegeu no ano passado com 63% dos votos.   O líder de oposição Manuel Rosales, que perdeu para Chávez na corrida presidencial de 2006, exortou os eleitores a participarem em grande número do pleito. "A Venezuela está numa encruzilhada", disse antes de votar no Estado de Zulia, onde é governador. Seus partidários cantavam "liberdade, liberdade".   Opositores, incluindo líderes católicos romanos, grupos de direitos humanos, empresários e de liberdade de imprensa temem que, se aprovadas, as reformas darão poder ilimitado a Chávez. As mudanças criarão novas formas de propriedade comunitária, ampliarão o mandato presidencial de seis para sete anos e permitirão que Chávez busque a reeleição. As reformas também darão a Chávez controle sobre o Banco Central e permitirão que o governo detenha cidadãos sem acusação durante um estado de emergência.   Os partidários de Chávez dizem que ele precisa de mais tempo no poder para consolidar "o socialismo do século 21" e elogiam mudanças propostas como a redução da carga horária de oito para seis horas diárias, a criação de um fundo de segurança social para milhões de trabalhadores informais e a promoção de conselhos comunitários nos quais os residentes decidiram sobre como gastar os fundos do governo.

Tudo o que sabemos sobre:
referendoVenezuelaHugo Chávez

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.