Chávez arrisca cruzada socialista em eleição na Venezuela

Os venezuelanos votavam neste domingo em um dia importante para o futuro da potência petrolífera, que definirá se o polêmico projeto socialista do presidente Hugo Chávez se aprofundará ou se haverá uma mudança com o plano liderado pelo jovem opositor Henrique Capriles.

CESAR ILLIANO E ANA ISABEL MARTÍNEZ, Reuters

07 de outubro de 2012 | 17h39

Em muito centros de votação havia longas filas de eleitores que esperavam para votar desde cedo no dividido país caribenho, onde no entanto a eleição se desenrolava sem incidentes. A autoridade eleitoral insistiu que só divulgará os resultados quando a tendência estiver irreversível.

Os candidatos encerraram uma frenética campanha na qual Capriles percorreu "casa por casa" em todos os Estados do país, enquanto que Chávez, que se declarou curado do câncer em julho, optou por um ritmo menos intenso, mas com uma fabulosa demonstração de força na reta final da corrida presidencial.

Pela primeira vez em muitos anos, as pesquisas não oferecem um panorama claro. A maioria dos principais levantamentos deu vantagem a Chávez, mas dois reconhecidos institutos desenham um cenário de empate técnico com chance para o candidato opositor.

Chávez votou depois do meio-dia no bairro 23 de Janeiro, um de seus redutos eleitorais em Caracas, acompanhado de familiares, membros do governo e personalidades como o ator norte-americano Danny Glover e guatemalteca vencedora do Nobel da Paz Rigoberta Menchú.

"Tenho a impressão de que a votação, tendo em vista as filas, não passará das seis da tarde. É um dia de júbilo, é um dia de democracia, é um dia de pátria", afirmou o presidente, com um casaco azul-marinho.

"Esperemos com normalidade democrática, com maturidade democrática, com espírito democrático que (a autoridade eleitoral) anuncie ao país e ao mundo os resultados e todos digam amém" concluiu.

No eleitorado opositor muitos decidiram votar cedo e em muitos centros de votação os cidadãos chegaram a fazer fila desde a noite, armados de cadeiras de praia, comida e café.

"Estamos decidindo o futuro da nossa Venezuela, votemos todos tendo em mente que podemos e que vamos melhorar", afirmou o adversário de Chávez via Twitter.

Tal como o "comandante" ordenou, milhares de seus seguidores começaram na madrugada deste domingo "a batalha eleitoral" ao som do militar "Toque de Diana" em todo o país para chamar ao voto em favor da revolução e contra a "burguesia apátrida."

"Vamos, povo bom, mobilização cedo! Todos e todas A VOTAR!", escreveu Chávez em sua conta na rede social Twitter nesta manhã.

Em muitas áreas em Caracas, os venezuelanos foram para a fila em frente às zonas de votação na madrugada.

"Fiquei com os vizinhos desde a madrugada porque prefiro votar em segurança do que esperar a tarde, quando qualquer coisa pode acontecer", disse María Salazar, de 39 anos, que chegou à fila pouco depois da meia-noite do sábado.

A alta polarização entre os venezuelanos ficou ainda mais exposta no sábado à noite, quando um protesto em muitas regiões de Caracas com um "panelaço" contra Chávez teve uma barulhenta resposta de partidários do presidente, que dispararam fogos de artifício.

Após quase 14 anos no comando do país caribenho com as maiores reservas petrolíferas do planeta, durante os quais conquistou uma sólida popularidade graças a uma política assistencialista e um inegável carisma, o militar aposentado de 58 anos enfrenta o maior desafio eleitoral de sua carreira política.

Mas o investimento de bilhões de dólares da renda petrolífera em programas sociais, que vão desde a entrega de casas gratuitas a caros tratamentos de saúde em Cuba, foi de encontro desta vez com um rival que promete corrigir as "falhas" da revolução e atacar problemas graves como a insegurança e o desemprego.

"Amanhã (domingo) convoco a todos a votar cedo, a votar pensando na melhor vida que cada um dos venezuelanos pode ter! Chegou a hora do futuro!", escreveu Capriles no Twitter na noite de sábado.

(Reportagem adicional de Marianna Párraga)

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