Chávez atribui derrota a momento errado e imaturidade social

O 'bombardeio midiático' provocou dúvidas em muitos 'chavistas' que não foram votar no domingo, opinou

Entrevista com

Efe,

04 de dezembro de 2007 | 01h02

Para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a derrota eleitoral no referendo de domingo, 2, se deve ao fato da sociedade venezuelana ainda não estar madura para assumir a proposta socialista como um projeto para o país. Ele fez a declaração durante uma entrevista ao canal estatal "Venezolana de Televisión". Veja também: Discurso de Chávez foi vitória da ética e dignidade, diz FidelKirchner parabeniza ganhadores de referendo e elogia ChávezVenezuela vive expectativa após derrotaPara Lula, Chávez aceitou vontade da maioriaAmorim: 'derrota foi boa para a democracia' Venezuela rejeita reforma constitucional Chávez reconhece derrota Resultado é 'vitória da democracia'Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma   Acompanhe a trajetória de Hugo Chávez      "É possível que ainda não fosse o momento. Será preciso amadurecer mais e continuar construindo o nosso socialismo", disse Chávez. Ele reconheceu que domingo à noite se perguntou se "havia se equivocado" ao propor a reforma rejeitada nas urnas. Chávez disse que é preciso continuar trabalhando intensamente para convencer os setores de classe média de que seriam beneficiados por um modelo socialista. Além disso, opinou, o "bombardeio midiático" provocou dúvidas em muitos "chavistas" que não foram votar no domingo. "Vamos analisar o que aconteceu. A oposição manteve a votação de dezembro de 2006, mas nós tivemos 3 milhões de votos a menos", comentou o governante. Nas eleições presidenciais de dezembro de 2006, Chávez recebeu 7,3 milhões de votos, contra 4,3 milhões do candidato de oposição Manuel Rosales. No domingo, a oposição conseguiu 4,5 milhões de votos para o "não" à reforma contra 4,3 milhões do "sim". "Pode ser que não estejamos maduros para assumir o socialismo. É preciso discutir isso, porque é um desafio", insistiu o presidente. Chávez acrescentou que o projeto de sociedade socialista continua no seu programa de governo. Ele afirmou ainda que decidiu aceitar a derrota, porque caso contrário setores da oposição poderiam provocar uma onda de distúrbios. "Se eu tivesse me empenhado em esperar até a apuração do último voto, como alguns queriam, não sei quantos mortos estaríamos contando agora, porque ainda não teríamos um cômputo final", argumentou. O governante revelou também que recebeu telefonemas dos presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, do Equador, Rafael Correa, da Argentina, Néstor Kirchner, e de Cuba, Fidel Castro.

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