Chávez chama Uribe de mentiroso e confirma crise

'O que o presidente da Colômbia fez foi dar uma brutal cuspida em nosso rosto', diz presidente venezuelano

Efe,

26 de novembro de 2007 | 03h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, confirmou neste domingo, 25, a existência de uma "crise" com a Colômbia e disse que isso, além de repercutir nas relações bilaterais, faz com que fique descartado o reingresso da Venezuela à Comunidade Andina de Nações (CAN). Durante evento em Maracaibo, ele chamou o presidente Uribe de mentiroso. Veja também:Uribe pede para Chávez 'não incendiar o continente'Chávez 'congela' relações com Espanha e ColômbiaChávez desmente Uribe e põe em xeque relações com Colômbia "É uma crise com o governo da Colômbia, não com a Colômbia, que, definitivamente, vai afetar as relações de cooperação, econômicas e o retorno à CAN", disse. "Não quero romper relações, mas estamos preparados para qualquer coisa. É uma crise gerada pelo presidente (Álvaro) Uribe e por suas mentiras", manifestou o governante venezuelano. Chávez disse que após tomar conhecimento da decisão de Bogotá de suspender sua gestão para a libertação de seqüestrados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) escreveu uma nota oficial "comedida e respeitosa", na qual deixava a porta aberta a uma explicação de Uribe. O governante venezuelano acrescentou que Uribe ficou em silêncio e que em vez da explicação o que chegou de Bogotá foi um documento "mentiroso" no qual expressaram "sombras de dúvida" contra sua pessoa. "O que o presidente da Colômbia fez foi dar uma brutal cuspida em nosso rosto. Ele emitiu um comunicado cheio de mentiras e isso é grave", declarou. Chávez reiterou que era uma "mentira" a afirmação de que Uribe o proibiu de falar com os militares colombianos. Também lembrou que entre Uribe e ele existia o compromisso de não tomar decisões sobre o problema da troca humanitária sem uma consulta prévia, o que, segundo destacou, o governante colombiano não cumpriu. Por isso, concluiu que Bogotá estava "buscando qualquer desculpa" para interromper a negociação. O governante venezuelano se mostrou convencido de que a decisão de Uribe se deve "às pressões de Washington, da extrema direita e do alto comando militar colombiano". Chávez revelou que montou um comitê para analisar a situação e esclareceu que a presença em Caracas do embaixador venezuelano em Bogotá, Pável Rondón, não está relacionada com a situação atual. Reiterou que a negociação humanitária tinha alcançado avanços significativos e disse que tinha certeza de que, se não fosse abortada, teria chegado a um bom final. O presidente venezuelano afirmou que, por enquanto, não é possível prever como terminará a crise com a Colômbia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.