Chávez concede indulto a 41 paramilitares colombianos

Em 'ato de boa vontade', presidente venezuelano concretiza acordo entre Farc e o governo da Colômbia

Fabiola Sanchez, da Associated Press,

30 de agosto de 2007 | 14h10

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, indultou nesta quinta-feira, 30, 41 colombianos apontados como integrantes de uma organização paramilitar de direita que planejava promover uma rebelião contra o governo venezuelano em 2004. Chávez vai à Colômbia negociar libertação de reféns das Farc  Chávez concedeu o benefício presidencial argumentando que o delito de rebelião militar, pelo qual os colombianos foram condenados há mais de um ano, não implicou violações aos direitos humanos nem crimes de guerra. O texto do decreto, formalizado nesta quinta, diz que o líder venezuelano adotou a medida "no marco da política internacional humanista e solidária empreendida atualmente pelo governo". A ordem menciona ainda que "se faz necessário realizar atividades com o objetivo de colaborar com a obtenção da paz social dos povos". Chávez anunciou no último dia 20, durante um encontro com familiares de reféns colombianos, que indultaria os paramilitares com o objetivo de "tocar os corações, encorajar a boa-vontade" e concretizar um acordo humanitário entre o governo colombiano e a guerrilha de esquerda Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   Ataque ao palácio presidencial Na semana passada, Chávez lembrou que, ao todo, 118 cidadãos colombianos estavam presos em penitenciárias venezuelanas no âmbito do processo iniciado em 2004 contra os participantes dos planos de "ataque ao palácio" presidencial de Miraflores, em Caracas. "Eles não chegaram a cometer o delito, apesar de que vestiam as fardas do Exército venezuelano", lembrou. Havia nove menores de idade entre os detidos. Eles foram repatriados depois da captura. Chávez salientou que seriam beneficiados pelo indulto somente os detentos "que não estiverem implicados na morte" de um homem cujo cadáver foi encontrado numa fazenda nos arredores de Caracas onde os colombianos foram presos em 9 de maio de 2004. Por suspeita de participação no complô, cinco oficiais da ativa e o general da reserva Ovidio Poggioli, todos venezuelanos, foram processados por "rebelião militar". Em outubro de 2005, um tribunal militar sentenciou três ex-oficiais venezuelanos e 27 paramilitares colombianos a penas de dois a nove anos de reclusão.   Em agosto do ano passado, o ex-coronel Jesús Faria e seu primo, o ex-capitão Rafael Faría, fugiram da penitenciária militar de Ranmo Verde em circunstâncias misteriosas. Os dois haviam sido condenados a nove anos de prisão por participação no plano. Os ex-oficiais fugiram junto com o presidente da maior central sindical venezuelana, Carlos Ortega, e com o ex-coronel Darío Faría, irmão de Jesús Faría.

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