David Fernandez/Efe
David Fernandez/Efe

Chávez confia em 'Deus bolivariano' para vencer crise elétrica

Venezuela sofre com racionamento de energia desde o início do ano, o que afeta setor econômico do país

Reuters,

10 de março de 2010 | 07h54

Racionamento de energia, instalação acelerada de plantas térmicas e a "ajuda de Deus, porque ELe é bolivariano", são as apostas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para superar a grave crise de energia que ameaça a economia do país e pode prejudicar sua popularidade.

 

Em um evento com atletas, o Chávez mostrou na noite da terça-feira, 9, sua fé de que as chuvas chegarão e o nível das represas voltará ao normal. As hidreléticas fornecem cerca de 70% da energia elétrica venezuelana.

Na ocasião, Chávez não deixou de criticar os opositores. "Os esquálidos (opositores) estão torcendo para que não chova. Mas vai chover mais, compadre, verás, porque Deus é bolivariano... A natureza está conosco", previu o presidente.

Chávez utiliza a classificação "bolivariano" como selo político para identificar as obras de sua revolução socialista, inspirada nos ideais de Simón Bolívar, herói da independência latino-americana da dominação espanhola no século 19. Ele chegou a mudar o nome do país para República Bolivariana da Venezuela.

Até agora, o plano do governo foi insuficiente para reduzir a demanda energética, apesar das ameaças de cortes no fornecimento a comércios e indústrias que não reduzirem seu consumo. O racionamento afeta algumas regiões e dura até 14 horas por semana.

"Ofereço minhas desculpas a todas as populações que estão sofrendo o racionamento elétrico. Mas o que venho dizendo desde o início do ano, tinha que fazê-lo, é como quando mandam a gente fazer dieta, (neste caso) uma dieta elétrica", afirmou em uma cerimônia transmitida pela televisão estatal.

Além de afetar a economia venezuelana, que no ano passado caiu em profunda recessão, a crise elétrica está prejudicando a popularidade de Chávez meses antes de eleições legislativas, nas quais seus aliados poderiam perder a ampla maioria que possuem na Assembleia Nacional.

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