Chávez consegue ajuda milionária da China em troca de petróleo

O governante chinês teve que suspender sua visita ao Chile e Venezuela devido a um terremoto que causou mais de mil mortos em seu país

EFE

18 de abril de 2010 | 00h55

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comprometeu neste sábado a China com o desembolso de US$ 20 bilhões para um plano de financiamento "de grande volume e a longo prazo", e em troca garantiu mais petróleo ao gigante asiático.

 

"A China fornecerá financiamento de US$ 20 bilhões para ajudar no desenvolvimento da Venezuela, em condições que em nada têm a ver com as leoninas de organismos multilaterais de crédito como o Fundo Monetário Internacional", ressaltou o chefe de Governo venezuelano, sem detalhar as condições desse desembolso, que ia assinar em Caracas com o presidente Hu Jintao.

 

O governante chinês teve que suspender sua visita ao Chile e Venezuela devido a um terremoto que causou mais de mil mortos em seu país.

 

Chávez reiterou as condolências de seu Governo por essa tragédia, mas que Jintao não quis que significasse o adiamento dos acordos, revelou.

 

As autoridades venezuelanas assinaram os acordos com membros de uma delegação governamental enviada por Jintao a Caracas, liderada pelo ministro de Administração de Recursos Energéticos da China, Zhang Guobao.

 

Chávez destacou que os US$ 20 bilhões não têm comparação na política de cooperação durante os 60 de existência da República Popular da China, esclarecendo que "não tem a ver com o fundo" estipulado anteriormente e que significou a ajuda de Pequim a Caracas no valor de US$ 12 bilhões para financiar diversas obras.

 

Outros acordos assinados apontam para a garantia de energia elétrica na Venezuela, com a construção de usinas elétricas que gerarão um total de 1.400 megawatts, com o uso do resíduo de petróleo venezuelano chamado coque.

 

Chávez lembrou que a Venezuela já envia à China cerca de 500 mil barris diários de petróleo o que, graças à assinatura hoje de um acordo adicional para a criação de uma empresa mista binacional que operará na Faixa do Orinoco, a esse volume serão acrescentados outros 400 mil barris.

 

"Todo o petróleo que a China possa precisar para se consolidar como uma grande potência está aqui", disse e previu que o gigante asiático se transformará "na primeira grande potência mundial".

 

"E isso é muito bom para o mundo, porque a China veio se tornando uma grande potência sem atropelar ninguém, sem invadir ninguém, sem bloquear ninguém, sem atropelar povos, sem impor suas condições leoninas, sem violar a soberania de nenhum povo", destacou.

 

Nesse contexto destacou que os convênios assinados entre Caracas e Pequim foram negociados "em pé de igualdade e respeitando o interesse comum de ambas as nações", e se somam "à rede a cada dia mas ampla, sólida e extensa de relações e cooperação que deu forma a uma aliança estratégica de alto interesse".

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