Reprodução/El Nacional
Reprodução/El Nacional

Chávez critica imprensa privada venezuelana por fotos de violência

Dois jornais foram proibidos de publicar conteúdo violento após divulgarem foto de necrotério

Efe e AP,

18 de agosto de 2010 | 17h51

CARACAS- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira, 18, que "o país exige respeito" diante do que qualificou de "pornografia" da imprensa privada local, depois de uma corte ter ordenado que a publicação de fotos de violência ou sangue seja proibida.

 

Veja também:

linkJornais alegam sofrer censura após proibição

linkVenezuela diz que continuará enviando gasolina ao Irã

 

Durante um conselho de ministros, Chávez mostrou a primeira página do jornal estatal Correo del Orinoco, que publicou informações referentes aos protestos dos médicos que trabalham no necrotério de Caracas após a publicação de uma foto de cadáveres em uma de suas salas em dois periódicos.

 

"O país pede respeito", disse o líder, ao apoiar as queixas dos funcionários do Necrotério de Bello Monte, o único de Caracas, organismo que chamou a atenção da opinião pública desde a sexta-feira passada, quando o jornal El Nacional publicou a foto.

 

A fotografia, que mostra corpos seminus ou totalmente nus, ensanguentados e amontoados nas mesas do necrotério, foi publicada também na segunda-feira pelo Tal Cual. Os dois jornais são críticos ao governo,  e usaram a imagem polêmica para ilustrar uma reportagem sobre o aumento da criminalidade na Venezuela.

 

Um tribunal de Caracas proibiu ontem os dois veículos de publicarem fotos de violência ou de fatos sangrentos e ordenou que todos os demais meios de comunicação do país parem de reproduzir imagens desse tipo.

 

A medida se estenderá durante um mês, tempo durante o qual o tribunal investigará uma denúncia contra o El Nacional e o Tal Cual apresentada pela Defensoria Pública, que alegou que a publicação da foto do necrotério afetava crianças e adolescentes.

 

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) qualificou hoje a proibição de "ampla e imprecisa demais" e demonstrou preocupação diante da possibilidade da norma levar à censura ou à autocensura.

 

O índice de criminalidade na Venezuela se torna cada vez mais alarmante. De acordo com cifras oficiais, ocorreram 12.257 homicídios nos primeiros onze meses de 2009, colocando a Venezuela entre os países mais violentos da América Latina.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.