Chávez defende diplomata venezuelana expulsa pelos EUA

O presidente Hugo Chávez culpou "contrarrevolucionários" pela expulsão de uma diplomata venezuelana dos Estados Unidos, na última contenda entre Washington e seu inimigo mais proeminente na América Latina.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 12h41

O governo do presidente Barack Obama ordenou que a cônsul-geral da Venezuela deixasse Miami no último final de semana, depois que a rede de televisão Univisión divulgou que ela havia, no passado, discutido ciberataques contra os Estados Unidos com diplomatas cubanos e iranianos.

Mas Chávez, dando a primeira resposta de seu governo ao caso na noite de segunda-feira, disse que a medida contra Livia Acosta Noguera foi "arbitrária e injustificada".

A inteligência venezuelana sabia que isso iria acontecer e a manteve em Caracas desde dezembro, acrescentou ele, durante uma coletiva de imprensa com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

"Ela é uma profissional digna, atacada, caluniada e demonizada por esse grupo de extremistas nos Estados Unidos e, agora, pelo governo de Barack Obama", disse.

O governo da Venezuela diz que exilados do país - que estão sediados no estado da Flórida nos EUA e se opõem ao governo socialista de Chávez - estão influenciando a política norte-americana para Caracas.

"Eles são contrarrevolucionários, não todos eles, mas um pequeno grupo... da ultradireita", disse, prometendo em breve uma resposta formal à expulsão.

"É outra demonstração da arrogância ridícula do império".

A última de uma longa lista de contendas diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos durante os 13 anos de Chávez no poder acontece em um momento delicado, durante a visita do líder iraniano à região.

O governo norte-americano está aumentando a pressão sobre o Irã por conta de sua política nuclear e pediu aos países aliados que diminuíssem as relações com Teerã.

Mas Chávez e os governos da Nicarágua, Cuba e Equador - todos de esquerda e que também recebem a visita de Ahmadinejad nesta semana - rejeitam a pressão norte-americana e estão transformando a visita em um show.

Apesar de suas diferenças políticas e ameaças passadas de interrupção de comércio, a Venezuela, membro da Opep, continua sendo um dos principais fornecedores de petróleo dos EUA, criando uma dependência econômica mútua que parece triunfar sobre diferenças ideológicas.

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