Chávez demite irmão do Ministério da Educação

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,demitiu na terça-feira seu irmão mais velho, Adán Chávez, docargo de ministro da Educação, por causa de uma polêmicaproposta de reforma educacional que até o presidente considerouideológica demais. A pasta voltará a ser ocupada pelo ministro de Ciência eTecnologia, Héctor Navarro, que foi "o primeiro ministro deEducação da revolução", como lembrou Chávez, que diz liderar umprocesso revolucionário no país. "Adán recebeu uma grande responsabilidade, quero liberá-lodesse trabalho tão intenso no ministério para que se dediquepor inteiro e plenamente à tarefa do Partido Socialista Unido",disse ele numa reunião ministerial transmitida pela TV. "Adán, pega o teu chapéu, pega o teu cavalo: [e parta]planície adentro", disse Chávez, nomeando seu irmão comovice-presidente do recém-criado partido PSUV para os Estados deBarinas e Apure (centro-oeste). O governo enfrenta o desafio deeleger um número expressivo de prefeitos e governadores naeleição de novembro. Pouco antes de demiti-lo, Chávez conversou com o irmãoenquanto este inaugurava uma escola no leste do país. Dias atrás, o presidente pediu que o adjetivo "bolivariano"fosse substituído por "nacional" no nome do currículoeducacional, e determinou que ele incluísse não só o ensino dosocialismo, mas também o do capitalismo, para que os alunospudessem fazer suas escolhas ideológicas. O Ministério da Educação redigiu a reforma e começou atreinar os professores para seu uso, enquanto se multiplicavamprotestos de pessoas que se sentiram excluídas da discussão. Críticos disseram que o novo currículo se inspirava naderrotada proposta de reforma da Constituição, com o qualChávez pretendia acumular mais poderes e reeleger-seindefinidamente. O projeto foi rejeitado num referendo emdezembro. Alguns meios de comunicação especulam que Adán Chávez, omais velho da família, único que se criou com Hugo Chávez nacasa da avó paterna, poderia ser chamado para resolver asacusações de corrupção feitas por deputados estaduais contrairmãos mais jovens do presidente e do ex-ministro, em Barinas. Na despedida ao irmão, que também já foi secretário daPresidência e embaixador em Cuba, Chávez não poupou elogios."Cumpriu uma grande tarefa, quero felicitá-lo. [...] É umcompanheiro para mim muito especial, [...] um líder humilde." (Por Patricia Rondón Espín)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.