Chávez desafia oposição venezuelana após eleições

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a oposição não será capaz de impedir a implantação de seu programa socialista no Legislativo e desafiou os opositores a falarem com os eleitores imediatamente, caso queiram tirá-lo do cargo.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

28 de setembro de 2010 | 15h20

Depois de boicotar as eleições parlamentares em 2005, os partidos de oposição recém-unidos no bloco Mesa da Unidade Democrática ganharam 65 assentos - mais de um terço - na Assembleia Nacional na eleição do último fim de semana. O governista Partido Socialista obteve 98 cadeiras.

Como os oposicionistas também obtiveram metade do voto popular, a Mesa Unidade Democrática comemorou o resultado como um triunfo e planejam derrotar Chávez, de 56 anos, na eleição presidencial de 2012.

Chávez, porém, ridicularizou as comemorações e lançou um desafio. Ele está no poder desde 1999 e continua sendo o político mais popular da Venezuela.

"Eu os desafio. Como dizem que são a maioria...convoquem um referendo. Por que esperar outros dois anos para se livrar de Chávez?", disse ele numa entrevista coletiva na noite de segunda-feira. "Venham me pegar! Estou aqui...Se não, vejo vocês em 2012."

A constituição da Venezuela permite o chamado "referendo revogatório" sobre o presidente caso a oposição obtenha cerca de 3,5 milhões de assinaturas solicitando isso. Chávez venceu confortavelmente um referendo desse tipo em 2004 e a oposição mostra-se cautelosa para tentar de novo.

Em vez disso, os membros da oposição estão focados na exploração de seu novo perfil na Assembleia Nacional e sua aceitação cada vez maior entre os quase 29 milhões de venezuelanos a fim de representar um sério desafio em dois anos.

Para tanto, eles precisam manter a unidade entre os mais de 30 partidos e grupos da Unidade Democrática e apresentar um programa que vá além de apenas opor-se a Chávez.

"A oposição ainda carece de coesão real, de uma mensagem digna de crédito e candidatos atrativos, assim os eleitores irão de fato votar contra ou a favor de Chávez", disse Daniel Kerner, analista do Eurasia Group, a respeito da eleição de domingo.

"Chávez permanece poderoso e, o mais importante, a sua continuidade não ficou sob risco. Qualquer percepção de que Chávez perderá essas eleições (de 2012) seria prematura."

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