Chávez diz que adversários vão reverter políticas sociais

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já pensando em uma batalha eleitoral em 2012, acusou neste domingo seus adversários políticos de terem intenção de reverter políticas sociais nas favelas do país e de livrar o país dos cubanos que promovem sua autodenominada "revolução".

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

06 de novembro de 2011 | 18h13

A acusação é especialmente prejudicial à oposição, uma vez que os projetos sociais "barrio" de Chávez --como saúde pública e escolas gratuitas, além de subsídios para alimentação-- têm sustentado a sua popularidade.

A maioria dos líderes da oposição têm, de fato, se comprometido a manter as melhores políticas sociais de Chávez. Mas o presidente venezuelano sabe que aumentar o espectro de que possam perdê-las, levará o medo aos mais pobres.

"É mentira que a burguesia pretende continuar com as missões, se ela ganhar", disse Chávez, usando a sua linguagem habitual, baseada em classes sociais, para enquadrar todos seus inimigos como representantes da elite rica.

"Eles vão destruí-las. Vão se livrar dos cubanos e vão privatizar a saúde, novamente", completou durante um telefonema à TV estatal, no domingo.

Milhares de médicos de Cuba, cujo governo é um aliado do líder venezuelano, trabalham na principal ação de Chávez: "Mision Barrio Adentro" (dentro das favelas), para oferecer atendimento médico gratuito em áreas pobres.

Eles estão entre os mais de 40 mil cubanos que trabalham com o governo Chávez, desde treinadores de esportes a conselheiros de inteligência e militares. Em troca, a Venezuela manda petróleo barato para Cuba.

OPOSIÇÃO CONTESTA

"Não tenho medo de dizer que Chávez teve alguns sucessos", disse recentemente, Henrique Capriles Radonski, possível candidato à presidência da oposição, acrescentando que seria "loucura" dele acabar com os projetos nas favelas.

"Mas, considerando os muitos bilhões que eles receberam do petróleo, imagine o que eles realmente poderiam ter feito, se tivessem gasto de forma eficiente?, disse ele à Reuters.

Candidatos da oposição, como Capriles, que vão disputar as eleições primárias em fevereiro, para formar uma chapa única contra Chávez, estão tentando evitar ataques diretos contra ele devido ao seu estilo antagônico, à sua saúde debilitada e à sua profunda ligação com os pobres.

Entretanto, Chávez, apesar de ainda estar se recuperando de uma cirurgia contra um câncer e da quimioterapia, está intensificando a sua retórica contra o que ele chama de "oposição apoiada pelos Estados Unidos", menos de um ano antes das eleições presidenciais de 7 de outubro de 2012.

Não foi a primeira vez que ele disse que os rivais atacariam as suas políticas sociais, mas ele reforçou essa acusação devido à maior exposição da oposição, que se prepara para selecionar seus candidatos para as eleições preliminares em breve.

"Eles nos odeiam e é por isso que nos atacam", disse Chávez, de 57 anos, que exagera suas raízes humildes e educação rural. "Eles não suportam ver nossos companheiros revolucionários, porque eles são símbolos de mudança, eles os odeiam. Nenhum desses candidatos tem o que é preciso para governar esse país, ele se tornaria ingovernável. Nós somos a única garantia de estabilidade."

O apoio a Chávez teve um aumento de quase 10 pontos, chegando a pouco abaixo dos 60 por cento, na maioria das pesquisas de opinião, desde que ele viajou em Cuba em junho, para remover um tumor maligno.

No entanto, as pesquisas também mostram uma disputa apertada, quando se trata de intenções de voto, com cerca de um terço pró-Chávez, um terço de indecisos e o resto pendendo para a oposição.

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