Chávez diz que Colômbia cometeu 'crime de guerra'

Venezuelano ameaça nacionalizar empresas colombianas no país e propõe acordo comercial a Rafael Correa

Agências internacionais,

06 de março de 2008 | 07h42

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse no final da noite de quarta-feira, 5, que o ataque colombiano que o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes, no Equador, foi um "crime de guerra. Depois de se reunir com o presidente equatoriano, Rafael Correa, o venezuelano afirmou ainda que poderia nacionalizar algumas empresas colombianas que operam em seu país, em meio à crise diplomática que envolve Venezuela, Colômbia e Equador. Veja também:Lula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regionalResolução diz que Colômbia violou soberania do EquadorColômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  "Vamos fazer o mapa, senhores ministros, das empresas colombianas que estão aqui na Venezuela. Poderíamos nacionalizar algumas", disse Chávez em entrevista coletiva conjunta com seu colega equatoriano, Rafael Correa. "Não estamos interessados em investimentos colombianos aqui", afirmou. O governante venezuelano assinalou que seu governo "terá de vender" as empresas que tem na Colômbia, e advertiu ainda que cairá de forma significativa o comércio bilateral, que beirou os US$ 6 bilhões em 2007. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, Chávez ainda propôs ao presidente equatoriano um "convênio comercial, porque não podemos depender de nenhum grão de arroz ou meio quilo de carne da Colômbia. Ele advertiu que a balança comercial com a Colômbia será afetada pela crise atual e que a relação comercial entre Caracas e Bogotá "veio abaixo". A crise entre os dois países, que também repercutiu na Venezuela, começou com uma ação de militares colombianos contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na qual morreu o rebelde Raúl Reyes, considerado o número dois da guerrilha, e cerca de 20 guerrilheiros. "A Organização dos Estados Americanos (OEA) reconhece que não temos nada a ver com as Farc", afirmou Correa. O Conselho Permanente da OEA aprovou na quarta uma resolução acertada entre e o Equador e a Colômbia para reduzir a tensão entre os dois países. Segundo o acordo, a Colômbia admite ter violado a soberania e integridade territorial do Equador e os princípios do direito internacional. O texto reafirma o princípio de que "o território de um Estado é inviolável e não pode ser objeto de ocupação militar nem de outras medidas de força tomadas por outro Estado, direta ou indiretamente, qualquer que seja o motivo, ainda que de modo temporário". Em troca da admissão formal de Bogotá, o Equador desistiu de pedir sanções por parte da OEA contra a Colômbia. O presidente equatoriano, Rafael Correa, pediu, entretanto, uma condenação formal e contundente do ataque colombiano. O presidente equatoriano, que chegou na quarta-feira à Venezuela como parte de uma viagem regional para explicar sua posição na crise com a Colômbia, reiterou que Quito quer a "paz", mas está disposto a chegar até as "últimas conseqüências" para defender a soberania nacional. Correa afirmou que uma das coisas que mudaram a partir de sua decisão de "romper relações" diplomáticas com Bogotá é que seu governo considerará um "ato de guerra" um eventual vôo colombiano de fumigações antidrogas em seu lado da fronteira. Sobre a resolução emitida pelo Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Correa disse estar "satisfeito" e "contente", porque é um "passo importante" em direção à resolução pacífica do conflito. A missão liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e quatro embaixadores, entre eles os do Brasil e do Panamá, viajará à fronteira entre a Colômbia e o Equador para colher informações e fazer um relatório, que será apresentado durante a reunião de chanceleres da organização, dia 17 em Washington. O Conselho Permanente deixou para os chanceleres das Américas a palavra final sobre a crise entre a Colômbia e o Equador, que levou Quito a romper relações diplomáticas com Bogotá. Chávez desmentiu as acusações do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de que seu governo enviou recursos para os guerrilheiros. Correa disse que essas denúncias, com as quais o governo da Colômbia tenta "passar de acusado a acusador (...), não justificam a agressão" ao território equatoriano. O equatoriano afirmou que assim como Bogotá "acusa" seu governo de "deixar as Farc entrarem" no Equador, Quito poderia assinalar que a Colômbia "deixa a guerrilha sair" de seu território. "A estratégia de Uribe é pressionar pelo norte (colombiano), mas deixa desprotegidas as fronteiras", disse o governante equatoriano, que acusou o presidente colombiano de fazer negócio com a guerra.

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