Chávez diz que EUA usam Colômbia para 'matar' Unasul

O presidente venezuelano disse que pretende conversar com Uribe sobre a preseça militar dos EUA

Efe ,

05 de agosto de 2009 | 20h26

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou nesta quarta-feira, 5, os Estados Unidos de usarem a Colômbia para "acabar" com a União de Nações Sul-americanas (Unasul). Chávez disse que pretende conversar com o chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, sobre a instalação das bases americanas naquele país.

 

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O acordo militar entre EUA e Colômbia é visto como "uma patada na Unasul" pelo presidente da Venezuela. Chávez disse também que, com a chegada do Equador à Presidência do grupo, seu Governo vai "seguir trabalhando com a Unasul, dando solidez ao Conselho Sul-americano de Defesa proposto pelo Brasil".

 

Chávez reiterou "seu compromisso com a paz na Colômbia" e, por isso, criticou a política de Washington de "instalar bases militares" em território colombiano. "Em vez de enviar mais soldados, mais armas e mais dinheiro à Colômbia para que haja mais guerra e mais morte, deveria mostrar à Colômbia que os EUA podem liderar um processo de paz", opinou Chávez, ao dizer que esta foi a posição de Obama durante a Cúpula das Américas de Trinidad e Tobago. Para o presidente da Venezuela, o conflito interno da Colômbia "não tem solução militar. É preciso buscar uma solução política negociada".

 

Obama na América Latina

 

Chávez também expressou sua "frustração" com as políticas de seu colega americano, Barack Obama, para a América Latina. "O Obama de Trinidad está virando fumaça, daí minha frustração", declarou Chávez em entrevista coletiva em Caracas, em alusão à última Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago no mês de abril.

 

Chávez e Obama protagonizaram uma inesperada aproximação durante a cúpula, quando entre sorrisos e apertos de mãos expressaram sua disposição de recuperar as relações entre os dois países. Neste sentido, os Governos de Venezuela e Estados Unidos reinstalaram recentemente seus respectivos embaixadores em cada país.

 

O governante venezuelano disse que a suposta política de agressões do Governo Obama em relação à região "é a mesma do ex-presidente americano George W. Bush", e deu como exemplo disso o golpe de Estado que derrubou o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, em 28 de junho. "Aí está o golpe de Honduras, eu acho que surpreendeu Obama, mas sua resposta foi má, péssima", sustentou o presidente da Venezuela.

 

Rádios

 

Hugo Chávez defendeu nesta quarta-feira, 5, a medida governamental de tirar do ar 34 emissoras de rádio e ressaltou os esforços feitos para fazer cumprir as leis. "Nenhuma liberdade pode ser ilimitada onde existem leis e o reconhecimento da Constituição. Quem quer viver onde não há leis, deve ir para a selva com Tarzan", disse na coletiva de imprensa concedida em Caracas.

 

A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) rescindiu neste fim de semana as permissões de transmissão de 34 rádios privadas que supostamente operavam de forma "ilegal".

 

Nesta quarta-feira, a Organização de Venezuelanos no Exílio (Orvex) pediu a "saída constitucional" de Chávez, acusando-o de desmantelar a democracia e atentar contra o direito à liberdade de expressão ao fechar 34 emissoras de rádio. "Chávez violou todos os artigos da Constituição Nacional e, entre eles, o referido à liberdade de expressão, com o fechamento das emissoras", declarou à Agência Efe o presidente da organização, Elio Aponte.

 

Brasil

 

O chefe do Estado venezuelano anunciou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Venezuela em 28 de agosto, dentro de seu plano de encontros trimestrais para aprofundar as relações entre os dois países. "Este mês temos grandes visitas", afirmou Chávez em coletiva de imprensa no palácio presidencial, na qual também anunciou a viagem a Caracas da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, na próxima semana.

 

O presidente venezuelano não deu mais detalhes sobre a agenda da visita de Lula, que sucederá o encontro que ambos mantiveram em 26 de maio em Salvador (BA).

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