Chávez diz que jornalistas agredidos provocaram situação

Segundo presidente, eles estariam participando de uma manifestação contra uma nova lei de educação

Agência Estado e Associated Press,

19 de agosto de 2009 | 11h30

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta terça-feira, 18, ter provas de que os jornalistas agredidos por supostos partidários seus foram os culpados pelo ataque. Segundo Chávez, a agressão ocorreu porque eles haviam participado como ativistas políticos em um protesto contra uma nova lei de educação.

 

Os jornalistas foram agredidos na última quinta-feira quando entregavam na rua panfletos com advertências contra a nova lei de educação. Segundo os críticos, a reforma do setor pode levar ao doutrinamento nas escolas.

 

"Como se disse, não estavam fazendo trabalho de jornalistas, estavam em uma marcha distribuindo uns folhetos contra a lei da educação", afirmou Chávez, durante entrevista por telefone ao canal estatal Venezolana de Televisión. "E, segundo entendi, e há inclusive provas, estavam provocando a gente do povo que estava por perto", acrescentou.

 

Fotos do ataque mostraram um grupo de supostos simpatizantes do presidente agredindo os periodistas com socos e pontapés, inclusive deixando alguns deles sangrando. Os jornalistas trabalham na Cadena Capriles, editora proprietária do jornal Ultimas Noticias, um dos de maior circulação do país, com uma linha editorial favorável ao governo.

 

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa alertou "a opinião pública sobre a evidente intenção de meios e grupos oficialistas de deformar a realidade dos fatos ocorridos na quinta-feira passada, quando 12 jornalistas ficaram feridos em mãos de exaltados que não ocultaram sua identificação com o chamado 'processo revolucionário' do governo".

 

A entidade destacou que os jornalistas "não participavam de nenhuma atividade de rua programada nesse dia por algum setor político e institucional e estavam a várias quadras do local onde havia uma marcha de apoio à lei".

 

Os agredidos alertavam que a legislação deixava a porta aberta à possibilidade de "suspensão imediata das atividades" dos meios de comunicação, quando os órgãos responsáveis pela educação decidirem.

 

Chávez disse que recomenda às pessoas que não caiam em provocações, mas sim que "denunciem os provocadores". "Não queremos violência, mas devemos estar preparados para qualquer coisa."

 

A organização Repórteres Sem Fronteiras, sediada na França, afirmou em comunicado na segunda-feira que o governo de Chávez "deu mostras reais da luta contra a impunidade nesse assunto". A entidade referia-se à detenção de um funcionário da Fundación Simón Rodríguez, financiada pelo governo, vinculado à agressão.

 

"Não obstante, tememos que em um contexto que segue sendo tão extremado, alimentado por novas legislações controvertidas e recentes fechamentos de meios de comunicação, o governo se veja cada vez mais exaltado por militantes extremistas que se valem dele", acrescentou a organização.

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