Chávez diz que morte de número 2 das Farc foi ato 'covarde'

Venezuelano mobiliza tanques para a fronteira com a Colômbia e diz que fechará Embaixada em Bogotá

Agências internacionais,

02 de março de 2008 | 14h46

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou neste domingo, 2, que dez batalhões de tanques fossem deslocado para a fronteira com a Colômbia e afirmou que a Embaixada da Venezuela em Bogotá será fechada. Chávez ainda afirmou que a morte do número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, foi um "assassinato covarde" e ainda acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de criminoso.   Veja também: Exército colombiano mata número dois das Farc Para Farc, morte não afeta negociações Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcPor dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade    Raúl Reyes, considerado o número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto no sábado em território equatoriano, perto da fronteira com o Estado colombiano de Putumayo, no sul do país.  "Ninguém foi morto em combate, foi um assassinato covarde, todo friamente preparado", disse o chefe de governo venezuelano durante o seu programa dominical "Alô Presidente!", transmitido pela televisão estatal.   Mais cedo, Chávez afirmou que uma guerra poderá ser iniciada entre os vizinhos da América do Sul se forças militares da Colômbia cruzarem o território venezuelano. "Não pense em fazer isso aqui, porque seria muito grave, seria motivo de guerra", disse Chávez.   Para Chávez, Uribe "é um lacaio, um mentiroso, pode ser chefe de um narcogoverno, mas não presidente de um país". Ele ainda assinalou que a verdadeira versão sobre a operação que matou Reyes e outros 16 guerrilheiros é que eles foram mortos enquanto dormiam. "Uribe faz o que o presidente (George W. Bush) o manda fazer".   A pedido de uma participante do seu programa de rádio e televisão, o chefe de Estado Venezuelano ofereceu um minuto de silêncio ao porta-voz internacional das Farc morto. "Rendemos tributo a um verdadeiro revolucionário que foi Raúl Reyes".   O presidente do Equador, Rafael Correa, já havia afirmado que os guerrilheiros teriam sido "bombardeados e massacrados enquanto dormiam", com o uso de tecnologia de ponta com a colaboração de potências estrangeiras. Ele qualificou a invasão do Exército colombiano como uma "verdadeira bofetada na relação civilizada que devem ter países irmãos, fronteiriços".   Segundo o Ministério da Defesa colombiano, o comandante das Farc estava em um acampamento localizado a 1.800 metros da fronteira colombiana com o Equador. Em um ataque aéreo lançado desde a Colômbia, Reyes foi morto com outros 16 guerrilheiros. Na ação, também morreu 1 soldado colombiano.   O governo do Equador anunciou neste domingo a retirada de seu embaixador na Colômbia, Francisco Suéscum, após a "transgressão dos princípios de soberania e integridade territorial" por parte das Forças Armadas colombianas, ao incursionar em solo equatoriano.   Porta-voz das Farc   Reyes, um dos sete membros do secretariado (comando central) das Farc e considerado seu porta-voz internacional, foi morto depois que a Força Aérea e o Exército colombianos rastrearam sua localização ao interceptar uma ligação telefônica. A morte de Reyes, que até então era visto como provável sucessor do líder máximo das Farc, Pedro Antonio Marín - conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (Tiro Certeiro) -, marca o pior revés contra a guerrilha em quatro décadas de conflito.   Além de Reyes, foi morto também o guerrilheiro Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, um dos ideólogos e principais compositores das Farc. Torres entrou na guerrilha aos 29 anos, em 1983, e foi o responsável pela direção de um projeto cultural dentro das Farc para dar identidade à organização.Com 59 anos, Reyes, cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia Silva, foi o principal negociador da guerrilha durante os frustrados diálogos de paz com o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002). Ele foi o primeiro membro do secretariado das Farc a ser morto pelas Forças Armadas da Colômbia. O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão, assim como dos outros seis membros da cúpula do grupo.    

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