Chávez diz que ninguém pode calar latino-americanos

Em referência a rei Juan Carlos, presidente afirma que indígenas do continente foram mortos por espanhóis

Efe,

13 de novembro de 2007 | 17h19

Ignorando os apelos do governo espanhol para colocar panos quentes no seu recente embate com o rei Juan Carlos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta terça-feira, 13, que ninguém pode querer fazer com que os latino-americanos não digam o que querem. Veja também:Após briga com rei, empresários espanhóis reclamam de ChávezEspanha não romperá com ChávezChávez diz que rei não pode mandá-lo se calarChávez chama o rei da Espanha de golpistaBriga entre Chávez e rei vira disputa política'Por que não se cala?' é usado como ringtone "Há 500 anos, veio a ordem da Madri imperial aos indígenas originais da América Latina: 'Calem-se'. Eles se calaram, mas quando lhes cortaram as gargantas", afirmou, numa clara alusão às palavras do rei Juan Carlos, que no domingo pediu que o presidente se calasse.  "Só assim os calaram. Os esquartejaram, os picaram em pedaços e colocaram suas cabeças em estacas na entrada dos povoados. Esse foi o império espanhol aqui!", disse o governante, perante correspondentes estrangeiros na sede do governo. "Me estranha que haja gente que se aborrece 500 anos depois", quando se fala de "desastre da conquista" espanhola na América Latina e a "exploração e enriquecimento" dos países ricos a custa dos países pobres, acrescentou Chávez. Durante seu discurso perante a imprensa estrangeira, prévia à rodada de perguntas, o governante não mencionou o Rei Juan Carlos, e só falou superficialmente sobre a Cúpula ibero-americana realizada no fim de semana passado em Santiago do Chile. O encontro de líderes da América Latina e representantes dos governos de Espanha e Portugal terminou com um bate-boca entre Chávez, o rei Juan Carlos e o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero.  Em seu discurso, o presidente venezuelano chamou o ex-premiê espanhol de "fascista", o que levou a uma reação inesperada do rei Juan Carlos - "porque você não se cala?", disse o rei.  Chávez asseverou que os latino-americanos são obrigados a dizer sua verdade, a expressar sua moral histórica, e ninguém pode pretender que não se diga que eles são. O presidente, impulsor do socialismo do século XXI, declarou que lhe dá "asco ouvir um latino-americano, e sobretudo presidente", dizer que na América Latina não houve um processo de "conquista" que acabou com sua cultura original. "Por isso eu respondi, Como que não?", disse Chávez para a imprensa estrangeira, voltando a repetir sua condenação do "imperialismo" que, disse, saqueou e "ainda saqueia" não só a América Latina, mas também a África e os países asiáticos.  "Não é que lhe joguemos toda a culpa de nossos males a fatores eternos, mas boa parte de nossos problemas sociais se devem a fatores externos", disse Chávez.

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