Chávez diz que Obama 'tem boas intenções' e quer ajudá-lo

Presidente venezuelano diz que não tem razão para chamar o líder americano de 'demônio', como fez com Bush

Efe e Reuters,

08 de setembro de 2009 | 09h39

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assegurou na segunda-feira, 7, que quer ajudar seu colega americano, Barack Obama, porque disse acreditar que este tem "boas intenções". Chávez deu tal declaração em Veneza, onde participou da exibição do documentário South of the Border, do diretor americano Oliver Stone, que fala justamente sobre o governante venezuelano.

 

"Acho que Obama tem boas intenções e quero ajudá-lo", disse Chávez. "Eu não tenho razão para chamá-lo de demônio, e eu espero que eu esteja certo", afirmou Chávez a repórteres em Veneza. "Com Obama, podemos conversar, nós somos quase da mesma geração, ninguém pode negar que Obama é diferente (de Bush). Ele é inteligente, tem boas intenções e temos que ajudá-lo."

 

Sobre o filme de Stone apresentado no Festival de Veneza, Chávez disse que "mostra parte da verdade sobre o renascimento" que disse estar conduzindo na América Latina. "É positivo que Oliver tenha feito este filme para tornar esta verdade visível, de modo que o mundo conheça o que verdadeiramente estou fazendo: um renascimento, uma democracia, uma revolução democrática", concluiu.

 

O documentário de Stone argumenta que a economia cresceu sob as regras de Chávez e que os níveis de pobreza caíram acentuadamente, tudo sem a ajuda de empréstimos de resgate de órgãos estrangeiros.

 

Perguntado em uma entrevista à Reuters se o fato de a economia venezuelana ter sofrido contração pela primeira vez em mais de cinco anos, no segundo trimestre de 2009, poderia significar medidas de austeridade à frente, Chávez respondeu: "Não há recessão na Venezuela. Houve uma leve desaceleração no crescimento, mas isso é algo lógico devido à grande recessão mundial no capitalismo". "Nós tomamos algumas medidas, mas o desemprego continua caindo e a produção continua subindo. A Venezuela tem sido afetada pela crise, mas não esteve e não entrará em recessão", completou o presidente venezuelano, que sentou-se ao lado de Stone no festival de cinema.

 

Chávez também disse que suas credenciais democráticas permanecem intactas, apesar de preocupações sobre mais ações para reprimir a imprensa independente e a oposição política. Milhares de pessoas tomaram as ruas de Caracas durante o final de semana para exprimir sua oposição ao presidente, que está no poder há uma década e diz precisar de mais 10 anos para concluir suas reformas socialistas. "Na Venezuela, nenhum canal televisivo foi fechado, apesar do fato de muitas emissoras terem apoiado um golpe de Estado", afirmou Chávez.

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