Chávez diz que pesquisas sobre referendo são manipuladas

Presidente venezuelano rebate números que dizem que reforma constitucional pode ser negada em pleito

Agências internacionais,

19 de novembro de 2007 | 15h28

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou nesta segunda-feira, 19, que as pesquisas apresentadas sobre o referendo no país foram manipuladas e representam uma "guerra" por todo o país. Pesquisas de opinião realizadas por dois institutos e divulgadas na última quinta-feira apontaram que Chávez, poderia ser derrotado no referendo sobre as reformas na Constituição do país. Segundo o jornal venezuelano El Universal, em uma das análises, 58 % dos consultados pretendem optar pelo "não" no pleito que será realizado no dia 2 de dezembro. Segundo o líder, os resultados apresentados seriam um "planos desestabilizador elaborado pela mesma estratégia que fracassou em outras oportunidades. Durante um telefonema transmitido por um programa de TV de uma emissora venezuelana, Chávez ainda incentivou a população a participar do pleito. "Votem pelo sim, os que querem regressar ao caos votem pelo não". Segundo a BBC, no referendo convocado para aprovar a atual constituição, em 1999, apenas 44% da população foi às urnas. Em outro referendo - o realizado em 2004 para decidir a permanência de Chávez no poder - 70% dos eleitores votaram. De acordo com o Instituto Hinterlaces, 45% dos consultados por telefone estavam decididos a votar contra a reforma. Já a análise do Instituto Mercanálisis mostra um número muito maior de votos contra a proposta do presidente - 58% são contra e 37% a favor. As pesquisas foram realizadas nas principais cidades do país. O projeto de reforma que está motivando os protestos nas últimas semanas em todo o país prevê mudanças em 69 dos 350 artigos da Constituição venezuelana - entre eles uma modificação que determina o fim do limite para reeleições. Entre as mudanças mais polêmicas está o fim do limite no número de vezes que o presidente pode ser reeleito. A Constituição vigente prevê apenas uma reeleição direta, com um período de seis anos para cada mandato. Outros artigos propõem a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias, o fim da autonomia do Banco Central, a inclusão do "poder popular" na escala dos poderes nacional, estatal e local e a proibição do latifúndio. O polêmico artigo 337 limita o acesso à informação em caso de estado de exceção.

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