Chávez diz que povo decidirá sua permanência no poder

Assembléia formaliza projeto para reeleição ilimitada; proposta para referendo deve passar com facilidade

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 07h32

 O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou na terça-feira, 9, que os que criticam seu projeto de reeleição parecem de esquecer de o povo decidirá sobre sua continuidade ou não no poder, através de eleições democráticas. A Assembléia Nacional venezuelana apresentou formalmente uma emenda constitucional que estabelece as reeleições ilimitadas para presidente no país, permitindo ao líder Hugo Chávez voltar a se candidatar em 2012. Aos gritos de "Uh, ah, Chávez não se vá!", os deputados venezuelanos receberam o texto da emenda da presidente da Casa, Cilia Flores. Eles convocaram para o dia 18 a primeira das duas discussões exigidas para aprovar a emenda.  Chávez pretende reformar a Constituição para possibilitar a reeleição contínua, como existe em países europeus como França, Reino Unido e Espanha. "Farei o que o povo mandar. Se vou governar até 2013 depende em primeiro lugar de Deus, e no plano político o povo da Venezuela que vai decidir em eleições, porque isto é uma democracia verdadeira", disse. Como todos os parlamentares foram eleitos por partidos chavistas (a oposição boicotou as eleições legislativas de 2005), a proposta deve ser aprovada sem dificuldades. "Uma das mentiras que lançaram é que estamos armando uma fraude, porque a reforma foi rejeitada (em referendo) no ano passado", afirmou. O governante assegurou que esse argumento é falso, porque em 2007 foi submetida a referendo a reforma de 69 artigos constitucionais, enquanto agora será a emenda de apenas um artigo. Chávez disse ainda que a atual Constituição "está blindada contra qualquer capricho pessoal, porque ninguém só pode ser alterada em caso de aprovação em referendo nacional". A reeleição indefinida estava incluída no projeto de reforma constitucional que os venezuelanos rejeitaram com 50,7% dos votos em consulta popular em dezembro de 2007. Chávez, porém, resolveu relançar a proposta em novembro, logo após as eleições regionais. A pressa, segundo analistas, viria da constatação do líder venezuelano de que está perdendo popularidade e a capacidade de vencer disputas eleitorais. Os cortes em gastos sociais - que cedo ou tarde terão de ser feitos para ajustar o orçamento do governo aos novos preços do petróleo - não devem ajudar a reverter esse processo.  Segundo uma pesquisa do instituto Datanálisis feita antes de Chávez relançar a campanha para acabar com o limite de dois mandatos, a proposta é aprovada por apenas 25% dos venezuelanos e rejeitada por 56%, ainda que a popularidade de Chávez seja de 57%.

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