Chávez diz que quer encontrar Lugo 'o mais rápido possível'

Chancelaria de Caracas afirma que presidente paraguaio eleito apoiará plano de integração sul-americano

Agências internacionais,

21 de abril de 2008 | 12h11

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o presidente eleito do Paraguai,Fernando Lugo, decidiram impulsionar a União Sul-Americana (Unasul), grupo criado oficialmente em dezembro de 2004 com o objetivo de ampliar o diálogo político e promover a integração econômica, comercial e de infra-estrutura da região. Os dois governantes ainda devem se encontrar "o mais rápido possível", segundo afirmou a chancelaria venezuelana nesta segunda-feira, 21.   Veja também:  Mapa da influência de Chávez na AL   Lula contraria eleito paraguaio e diz que não negocia acordo de Itaipu  Coalizão de Lugo se prepara para definir governo paraguaio  Religioso Fernando Lugo é eleito presidente do Paraguai  Rivais reconhecem vitória de Lugo  Vida dedicada ao sacerdócio    Em comunicado, Caracas afirmou que Chávez e Lugo falaram por telefone "após saber de sua vitória nas eleições de ontem, e coincidiram em continuar construindo a Unasul com base na reivindicação da história da luta de nossos povos". "Os dois presidentes manifestaram seu desejo de se encontrar o mais breve possível para conversar sobre os planos de cooperação e complementaridade" e, nesse sentido, Chávez ratificou a Lugo "sua vontade de continuar trabalhando em função de conseguir o desenvolvimento partilhado do povo paraguaio e do povo venezuelano".   Chávez reconheceu, acrescentou o comunicado, "a impecável jornada democrática desenvolvida pelo povo paraguaio" nas urnas, o que "demonstra a maturidade política atingida por este povo irmão sul-americano".   No sábado passado, Chávez negou denúncias do presidente do Paraguai em final de mandato, Nicanor Duarte, de que funcionários do Governo de Caracas mandaram ativistas a Assunção para tentar influenciar na eleição presidencial do Paraguai.   Fidel Castro   Em um comunicado publicado nesta segunda pela imprensa cubana, o ex-presidente de Cuba Fidel Castro previu que "nos próximos dias os povos da América Latina estão próximos de enfrentar duas tragédias: a do Paraguai e a da Bolívia". Em reflexão datada de sábado, véspera do pleito presidencial paraguaio, Fidel aponta que "um ex-bispo católico conta com a maioria arrasadora do apoio do povo, de acordo com pesquisas sérias, e é certa a rejeição a uma fraude eleitoral", antes do opositor Fernando Lugo ser confirmado como presidente eleito paraguaio. A outra, de acordo com Fidel, aconteceria na Bolívia devido a "ameaça de desintegração real deste território, que conduziria a lutas fratricidas no país".   Fernando Lugo, um esquerdista de ares gentis que abandonou a batina três anos atrás afirmando então sentir-se impotente para ajudar os pobres de seu país, conseguiu derrotar, na votação de domingo, os colorados com promessas de minorar as desigualdades e combater a corrupção. Lugo descreve a si mesmo como um político independente e manteve-se afastado dos dirigentes esquerdistas mais radicais da América Latina, como Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.   No entanto, o ex-bispo é visto como um aliado em potencial dos presidentes esquerdistas mais moderados da região, os quais rejeitaram tanto as ditaduras de direita, quanto os governos extremamente corruptos e as rebeliões marxistas tão comuns no final do século 20.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.