Chávez diz que rei da Espanha deveria pedir desculpas

Para presidente venezuelano, pedido serviria para evitar a deterioração das relações entre alguns países

Efe,

14 de novembro de 2007 | 02h24

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, espera que o rei da Espanha, Juan Carlos I, peça desculpas à Venezuela por tê-lo mandado se calar na Cúpula Ibero-americana. A declaração de Chávez foi feita durante uma entrevista para o canal Promar.  Veja também:Chávez diz que ninguém pode calar latino-americanosApós briga com rei, empresários espanhóis reclamam de ChávezEspanha não romperá com ChávezChávez diz que rei não pode mandá-lo se calarChávez chama o rei da Espanha de golpistaBriga entre Chávez e rei vira disputa política'Por que não se cala?' é usado como ringtone "O mínimo que ele deveria fazer era pedir desculpas e dizer ao mundo a verdade", disse Chávez na cidade de Barquisimeto, a sudoeste de Caracas. Ele disse ainda que o pedido de desculpas evitará a deterioração das relações entre alguns países. Durante a Cúpula Ibero-americana de Santiago do Chile, o rei espanhol mandou Chávez se calar, quando ele insistia em acusar o ex-chefe de governo da Espanha José María Aznar de ter apoiado um golpe de Estado na Venezuela em abril de 2002. Para Chávez, o incidente levou alguns governos a tomar posição a favor da Venezuela ou da Espanha, e isso pode prejudicar a diplomacia. Por exemplo, El Salvador e Chile defenderam o rei e isso "pode alterar" as relações com os dois países, e "o culpado disso seria o rei". Chávez considerou a solidariedade "absurda". "Eu não disse nada ao rei, foi ele quem me agrediu em um tom violento", queixou-se. O presidente venezuelano denunciou uma campanha "em nível mundial" para mostrar que ele foi o agressor. "Mas eu não disse nada", comentou. Chávez opinou, além disso, que a reação mais surpreendente foi a do atual chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em defesa de seu antecessor Aznar. Ele comparou a situação com uma hipotética defesa de Adolf Hitler por parte da chanceler alemã, Angela Merkel. Além disso, afirmou que os investimentos da Espanha na Venezuela "não são imprescindíveis", mas mostrou esperanças de que o incidente "não afete" os negócios. "Mas isso dependerá do governo espanhol e de que haja respeito", ressaltou. Ao comentar outros aspectos da Cúpula, Chávez disse que a América Latina ficou dividida em dois setores: um defende o capitalismo e o neoliberalismo, e outro é o dos rebeldes. No segundo grupo, além de si mesmo e de Fidel Castro, incluiu os presidentes da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa; e da Nicarágua, Daniel Ortega. "Os que foram maioria durante décadas agora parece que estão em minoria e se desesperam. Acho que o rei foi vítima do desespero, da saturação, de ouvir discursos revolucionários denunciando as culpas que a Europa não quer reconhecer", afirmou. Os discursos, segundo o governante venezuelano, aconteceram na véspera do incidente, durante a sessão de cinco horas a portas fechadas. Chávez revelou que na sessão também se falou "da conquista, do genocídio indígena, das empresas européias que vêm para não investir e levar os dividendos porque, com raras exceções, é mentira que venham investir para o desenvolvimento dos países".

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