Chávez diz que rir da oposição faz bem para a saúde

Presidente venezuelano ridiculariza líderes que criticam referendo para emenda de reeleição ilimitada

Reuters e Associated Press,

11 de fevereiro de 2009 | 10h58

O presidente Hugo Chávez zombou dos líderes da oposição ao seu governo afirmando que seus discursos ridículos fazem bem para a saúde dos venezuelanos, elevando os ânimos da população ao provocar risos. Chávez está em campanha para tentar aprovar a emenda constitucional que passará por referendo neste domingo e propõe a reeleição ilimitada do presidente.   Chávez, conhecido por entreter multidões com músicas, brincadeiras e piadas durante seus discursos, pediu para que seus ministros, durante reunião de gabinete televisionada, prestem atenção e ouçam os discursos dos opositores contra o referendo de reeleição ilimitada. "Está provado que assistir e ouvir os líderes da oposição fazer bem para a nossa saúde...porque é bom dar risada, vocês sabem, não apenas psicologicamente, mas para elevar o espírito também", disse o presidente na noite de terça-feira, 10.   O presidente, que algumas vezes é desbocado e frequentemente xinga seus rivais políticos, ridicularizou o líder opositor Manuel Rosales por ter pedido para que a população não dê ouvidos para o governo tampando os ouvidos. Chávez, que tenta o referendo para permanecer pelo menos mais uma década no poder, afirmou que Rosales é um "filósofo", cuja retórica é impenetrável.   O opositor afirmou que o presidente não é brincadeira. Rosales, quem Chávez já afirmou que deveria permanecer na cadeia, acusa do presidente de ser um ditador tentando transformar o país numa nação comunista nos moldes de Cuba.   "Guerra religiosa"   Chávez acusou na terça-feira a oposição e alguns meios de comunicação locais de usarem o ataque sofrido em janeiro pela maior sinagoga de Caracas para promover uma "guerra religiosa midiática". Chávez disse, em cadeia de rádio e televisão, que opositores e meios de comunicação privados responsabilizaram o governo pelo ataque à sinagoga Tiferet Israel.   Para o presidente, esses ataques têm o "criminoso objetivo de tratar de desatar na Venezuela uma guerra religiosa". O governante assegurou que entre os venezuelanos há uma postura "flexível" e "diversa" sobre a religiosidade. Além disso, reiterou que seu governo não é antissemita e respalda a diversidade de cultos.   Alguns dirigentes da oposição acusaram Chávez de incitar o ataque, por fazer duras declarações contra os israelenses pela operação militar na Faixa de Gaza, de 22 dias, iniciada em 27 de dezembro. Na ofensiva de Israel foram mortos cerca de 1.300 palestinos. Chávez expulsou o embaixador israelense em Caracas, durante os confrontos, e Israel respondeu expulsando os diplomatas venezuelanos do país.   Dirigentes da comunidade judaica na Venezuela denunciaram a aparição em meios estatais e pró-governo de artigos nos quais os judeus eram insultados e eram convocados boicotes a seus produtos e protestos em sinagogas. Segundo a polícia, há 60 policiais nas operações de busca de quatro pessoas suspeitas de colaborarem com o ataque na sinagoga. O chefe policial Wilmer Flores Trosel apontou que a principal suspeita até agora é de roubo, mas "não descartamos qualquer outra hipótese".   O ministro de Interior, Tareck El Aissami, informou que foram presas 11 pessoas suspeitas no caso, entre elas oito policiais. O ministro disse que entre os principais suspeitos está um ex-vigilante do rabino da sinagoga. O ataque ao centro religioso ocorreu em 30 de janeiro, quando um grupo de homens destruiu objetos sagrados e pintou os muros. Foram roubados um computador e um dispositivo de armazenamento eletrônico com uma base de dados dos fiéis da sinagoga.

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