Chávez diz que 'seu destino' estará em jogo em eleição regional

Presidente venezuelano afirma em comício que seu governo 'dependerá do que acontecer no próximo domingo'

Agências internacionais,

17 de novembro de 2008 | 14h40

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que nas eleições regionais do próximo dia 23 se julgará também seu destino e que dependerá dos resultados para continuar governando. "Está julgando-se o meu destino. Vocês dizem 'Chávez não se vá', isso dependerá do que acontecer no próximo domingo", afirmou Chávez a seus partidários em Maracaibo, informa a agência France Presse. Veja também:Oposição busca virada sobre Chávez O presidente tem se envolvido intensamente nesta campanha eleitoral desde dezembro de 2007, quando sofreu sua primeira derrota nas urnas com a rejeição em referendo de uma reforma constitucional que previa reeleição presidencial indefinida. Chávez foi reeleito em 2006 para um período de 6 anos, e segundo a atual Constituição bolivariana, não poderá voltar à Presidência. No domingo, Chávez ainda sugeriu a construção de um reator nuclear russo no Estado (Departamento) de Zulia. A obra poderia acontecer graças aos acordos de cooperação firmados entre Rússia e Venezuela, durante a visita do presidente russo Dmitri Medveded a Caracas. O chefe de Estado venezuelano adiantou que o reator poderia chamar "Humberto Fernández Morán", um dos maiores cientistas latino-americanos que no passado foi marginalizado na Venezuela por ter colaborado com o governo militar de Marcos Pérez Jiménez (1952-1958). No próximo domingo, cerca de 17 milhões de venezuelanos irão aos aproximadamente 11,5 mil centros de votação para elegerem 22 governadores, 238 prefeitos e 233 deputados estaduais, para um total de 603 cargos de representação popular, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Com alto índice de popularidade, Chávez toma as rédeas da campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado no ano passado para reunir as várias legendas que o apóiam, e transformou a disputa eleitoral em um plebiscito sobre sua pessoa e a "revolução bolivariana". Desde o Estado Nueva Esparta, no leste, até seu Estado natal, Barinas, no sudoeste, Chávez multiplicou seus discursos na liderança da máquina estatal no domingo, em uma tentativa de mobilizar seu eleitorado. Em Barinas, o presidente venezuelano participou de um comício em apoio a seu irmão, Adán Chávez, candidato à sucessão do pai dos dois, Hugo de los Reyes Chávez, ao final de seus oito anos de governo estadual. Em Barinas (...) não há espaço nem para a oposição velha nem para a oposição nova, pois são a mesma coisa", declarou Adán, que deverá enfrentar um dissidente do chavismo, além de candidatos da oposição tradicional, para alcançar a vitória no próximo domingo. Um cenário similar se apresenta em outros Estados do país ou em municípios, onde aspiram a eleição de candidatos anteriormente afins ao governo que não responderam ao chamado à união sob o estandarte do PSUV. O partido de Chávez espera tirar da oposição os sete governos estaduais que controla atualmente, que venceu nas eleições de 2004 (Zulia e Nueva Esparta) e outros cinco cujos dirigentes, eleitos pela plataforma chavista, se desvincularam de Caracas posteriormente. Alguns prevêem que o PSUV pode perder entre quatro e oito Estados, além de Prefeituras como a de Maracaibo, capital de Zulia, para a qual se candidatou o dirigente oposicionista Manuel Rosales, governador em fim de mandato do estado, ex-candidato à Presidência da Venezuela e derrotado por Chávez em dezembro de 2006. Partidos das duas plataformas convocarão grandes atos nos próximos dias, antes do final da campanha, na próxima sexta, nos quais poderá transmitir a seus candidatos a popularidade que continua mantendo entre os eleitores.

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