Chávez diz que sua 'revolução' é a via para a América Latina

Pronunciamento foi dado no aniversário da tentativa golpista que liderou há 16 anos

EFE

05 de fevereiro de 2008 | 03h23

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou nesta segunda-feira que a "revolução bolivariana é o único caminho para a libertação da América Latina", ao celebrar um novo aniversário da tentativa golpista que liderou há 16 anos. Em um pronunciamento de mais de três horas, transmitido em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão, Chávez disse que "o império" (EUA) está consciente do "poder" de sua "revolução", por isso Washington "continuará por todos os meios" seu suposto empenho de derrotá-la. Em seu discurso, ressaltou os "avanços" conquistados pelo processo que nasceu no dia da tentativa de golpe e que dirige desde que assumiu o Governo pela primeira vez, em fevereiro de 1998, e alertou sobre os "riscos" que sua "revolução" corre. "O maior inimigo (da revolução bolivariana) é o império, que seguirá atuando para enfraquecê-la (...); o império não descansará em seu empenho em freá-la, porque é o caminho de libertação não só do povo venezuelano, mas dos povos da América Latina e o Caribe", expressou. O governante pediu que as Forças Armadas a não se deixem manipular pela campanha que "o império" e seus aliados internos mantêm contra o Governo, e lhes pediu "unidade, eficácia" e que a cada dia sejam "mais patriotas e revolucionários". Chávez assinalou ainda que apesar das "importantes" conquistas em matéria social, política e econômica, ainda "resta muito" a fazer para instaurar o modelo socialista no país. Durante o ato oficial, o presidente venezuelano condecorou vários militares que o acompanharam durante a tentativa golpista, entre eles os atuais governadores de Mérida, Táchira, Apure e Miranda. Também entregou medalhas de honra a familiares de oficiais e civis mortos durante a revolta, muitos dos quais receberam a condecoração oficial entre lágrimas. Chávez repetiu hoje que liderou o golpe "em nome do povo", que foi "massacrado" três anos antes, em 27 de fevereiro de 1989, durante o chamado "caracazo", uma revolta popular contra a "fome e a miséria" derivada do pacote econômico imposto pelo segundo Governo do presidente Carlos Andrés Pérez (1974-1979/1989-1994). O atual governante venezuelano e demais militares envolvidos no fracassado golpe foram julgados e condenados em 1992 por rebelião, mas em 1994 obtiveram o indulto do então líder, Rafael Caldera (1969-74/94-99).

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