Chávez diz que 'traidor' obedece a 'conspiração do império'

Ex-ministro de Defesa classificou a reforma constitucional do presidente como um 'golpe de Estado'

Efe,

07 de novembro de 2007 | 02h11

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, classificou as declarações de seu ex-ministro da Defesa, Raúl Isaias Baduel, como "traição". Ele disse ainda que elas fazem parte de uma "conspiração internacional" cujo objetivo é um "golpe de Estado" ou uma "invasão imperialista". Baduel, considerado o responsável pelo retorno de Chávez ao poder após sua breve derrubada, em abril de 2002, rejeitou na segunda-feira, 5, a reforma constitucional promovida pelo governante. Para ele, a mudança é um "golpe de Estado" que "tira poder do povo" e torna o Executivo "incontrolável por parte dos demais poderes públicos". O ex-ministro da Defesa pediu que os venezuelanos votem contra o projeto de mudanças constitucionais no referendo convocado para 2 de dezembro. Falando a aspirantes a militantes do Partido Unido Socialista da Venezuela (PSUV), que dirigirão a campanha a favor da reforma constitucional, Chávez defendeu a proposta nesta terça-feira, 6. "É preciso derrotar a abstenção. Que ninguém fique sem votar", disse Chávez. "É preciso ir casa por casa e dizer que desta reforma depende o futuro do país", acrescentou. Ao falar de Baduel, opinou que "à medida que se aprofunda a revolução, sairão os traidores", o que "deve servir como uma lição para fortalecer ainda mais" os venezuelanos comprometidos com o processo de mudança. Para o governante, a "traição" de Baduel "não é inocente, obedece a uma nova conspiração internacional que já está em andamento para gerar um golpe de Estado, uma guerra civil ou uma invasão imperialista". A conspiração, promovida "pelo diabo que é o imperialismo" dos Estados Unidos e seus "lacaios" na Venezuela, continuará mesmo depois de uma possível aprovação popular da reforma. "A oposição golpista não vai reconhecer o resultado", previu Chávez. Ele garantiu porém que as conspirações "fracassarão", porque serão enfrentadas "pelo povo na rua, que é a vacina anti-Bush". Chávez afirmou que a reforma dará "mais poder ao povo" e reforçará o projeto "revolucionário" de instaurar o sistema socialista, o "único caminho para a paz e a justiça". Os partidos de oposição, a cúpula empresarial e o Episcopado rejeitam as mudanças por considerarem que elas "acabam com a democracia", outorgam poderes "imperiais" a Chávez e "eternizam" o presidente no poder, que assumiu pela primeira vez em 1999.

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