Chávez diz que Zelaya voltará a Honduras 'nas próximas horas'

Governo autoproclamado diz que estaria disposto a aceitar uma anistia para 'delitos políticos' do líder deposto

17 de julho de 2009 | 13h38

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, regressará nas próximas horas a seu país, assegurou nesta sexta-feira, 17, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O possível retorno de Zelaya, que foi deposto da presidência em 28 de junho por militares e grupos de civis, desafiaria as advertências feitas pelo governo de facto que se instalou no país da América Central de que o mandatário deposto seria preso ao chegar ao país.

 

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"Zelaya disse que nas próximas horas entra em Honduras, pois nós estamos com Zelaya, é preciso apoiá-lo", disse Chávez a jornalistas ao entrar no palácio governamental para reunir-se com o colega boliviano Evo Morales. "Já verão os gorilas o que vão fazer, lá existe um povo (que) tem bloqueadas quase todas as estradas, o país está paralisado, é um país ingovernável". "Todo o povo pede a volta de Zelaya e o que os golpistas têm que fazer é entregar o governo ao presidente legítimo e nós todos temos que apoiá-lo", acrescentou.

 

O líder venezuelano voltou a insultar os novos governantes de Honduras, liderados por Roberto Micheletti, e os qualificou de "usurpadores", "máfia capaz de qualquer coisa" e "assaltantes de estrada". "Vito Corleone, o poderoso chefão, (...) Al Capone são crianças de colo se comprados a 'gorileti' e seus bandidos que têm que ser varridos pelo povo de Honduras e varridos pela história, porque não podemos voltar atrás", declarou Chávez. "Gorileti" é o termo depreciativo pelo qual Chávez se refere a Roberto Micheletti, governante interino de Honduras.

 

O presidente venezuelano também disse que a chanceler de Zelaya, Patricia Rodas, saiu esta madrugada de La Paz rumo a Manágua, onde, no domingo, serão comemorados os 30 anos da revolução sandinista, evento ao que disse não ser seguro assistir. Na véspera, Patricia disse que Zelaya já está em território hondurenho. "Ele está em algum lugar do país, caminhando por lá", disse Patricia, sem entrar em detalhes durante entrevista concedida em La Paz, onde participou da celebração do bicentenário da revolta da cidade boliviana. "Que Deus o proteja e os povos da América o acompanhem", disse a diplomata hondurenha, acrescentando que Zelaya retornará ao poder assim que os golpistas cederem.

 

Desde o início da semana, Patricia vinha acompanhando Zelaya em suas visitas aos EUA e a países da América Central e Caribe em busca de apoio para seu retorno. Na terça-feira, durante um discurso na Guatemala, o presidente deposto fez um pedido aos hondurenhos para que participassem da "insurreição para tirar os golpistas do poder".

 

No dia 5, Zelaya tentou voltar a Honduras, mas seu avião foi impedido de aterrissar em Tegucigalpa e ele foi obrigado a ir para El Salvador. O governo americano pediu paciência a Zelaya logo depois de ele ter dado um ultimato ao presidente autoproclamado, Roberto Micheletti.

 

Anistia

 

O ministro hondurenho da Presidência, Rafael Pineda, disse que o governante interino Roberto Micheletti, designado pelo Parlamento depois da deposição de Manuel Zelaya, aceitaria uma terceira pessoa para solucionar a crise política de seu país. Pineda disse a jornalistas em Tegucigalpa, que Micheletti está "disposto a aceitar uma terceira pessoa", mas sem que a Constituição da República seja violada. Além disso, o Governo de Micheletti, segundo Pineda, aceita que Zelaya seja anistiado pelos "os crimes políticos".

 

Segundo o presidente da Suprema Corte de Justiça do país, Jorge Rivera, a ordem de captura contra Zelaya foi feita no dia 26 de junho, por vários crimes, entre eles o de abuso de autoridade e traição à pátria. Na opinião de Pineda, "as rápidas e repentinas atitudes" de ordem política de Zelaya e de alguns de seus funcionários "podem ser perdoadas, mas não os crimes comuns".

 

O alto funcionário do governo de Micheletti disse, além disso, que para resolver a crise, é preciso um "diálogo sem violência e sem ameaças de um governo estrangeiro que está a milhares de quilômetros de Honduras", em alusão ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O líder venezuelano disse na quinta que pode haver uma guerra civil em Honduras, que poderia se espalhar pela América Central, se o retorno de Zelaya ao poder não for permitido. Pineda ressaltou que as Nações Unidas devem tomar alguma atitude com relação a Chávez, porque ele está provocando medo em alguns setores de Honduras.

 

Os hondurenhos têm grandes expectativas sobre o que pode acontecer no sábado, na Costa Rica, onde o diálogo em busca de uma solução à crise hondurenha será retomado, com a mediação do presidente do país, Óscar Arias, que já sugeriu um governo de reconciliação. As comissões de Zelaya e Micheletti confirmaram sua presença à reunião com Arias.

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