Chávez e Capriles tomam ruas da Venezuela no fim da campanha

Centenas de milhares de venezuelanos, seguidores de Hugo Chávez ou de Henrique Capriles, tomavam nesta quinta-feira as ruas do país nos comícios de encerramento de uma campanha presidencial altamente polarizada.

MARIO NARANJO E DIEGO ORE, Reuters

04 de outubro de 2012 | 19h46

O presidente socialista Chávez enfrenta seu maior desafio eleitoral em 14 anos, buscando um mandato que lhe permita alcançar duas décadas no poder. Ele lidera a maioria das pesquisas, amparando-se no seu carisma e nos programas sociais financiados pelo petróleo.

Já Capriles, candidato único da oposição, vem crescendo nas pesquisas prometendo mais segurança, mais emprego e menos polarização ideológica.

Uma forte chuva não impediu que os chavistas, usando camisas vermelhas e o logotipo do "coração venezuelano", tomassem uma ampla avenida de Caracas, numa sólida resposta a uma passeata de Capriles no mesmo local no fim de semana.

Chávez, que em meados deste ano se declarou curado de um câncer, surgiu vestido com um casaco militar, sob o temporal.

"Viva a chuva, chegou a avalanche bolivariana a Caracas!", gritou o presidente no palanque montado no fim da avenida Bolívar, de onde animou a plateia e até cantou, como virou hábito em seus atos públicos.

"Estamos jogando a vida da Venezuela. Nas nossas mãos não vai se perder a vida da pátria", disse Chávez, num discurso emotivo, em que voltou a reconhecer erros do seu governo, algo que causou surpresa na reta final da campanha.

Após passar horas esperando o presidente, seus seguidores o ovacionaram antes do início de uma carreata que terminaria com outro discurso, a poucos quarteirões do primeiro.

Enquanto isso, os partidários de Capriles se concentravam desde cedo em Barquisimeto, no oeste do país, para o comício de encerramento após um extenuante périplo que começou antes das primárias oposicionistas de fevereiro, da qual mais de 3 milhões de pessoas participaram.

"Tenho 19 anos e o único presidente de quem me lembro é Chávez. Isso não é normal. Na democracia, deve haver alternância", disse Juan Ramírez, vestido com as cores da bandeira nacional, no comício de Barquisimeto.

Nas últimas semanas, Capriles substituiu o discurso conciliador por um tom mais agressivo, buscando destacar os pontos fracos do governo de Chávez e prometendo soluções rápidas se for eleito.

"Só nos falta ir votar no futuro, por uma causa justa, para que a vida de cada um de vocês melhore", disse o candidato horas antes do comício final.

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