Felipe Pinzon/Efe
Felipe Pinzon/Efe

Chávez e Santos anunciam retomada das relações diplomáticas

Relações entre Venezuela e Colômbia foram rompidas por Chávez há duas semanas

estadão.com.br,

10 de agosto de 2010 | 20h36

SANTA MARTA, COLÔMBIA- Os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, acordaram nesta terça-feira, 10, restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países, após duas semanas de crise.

 

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O acordo foi selado na cidade caribenha de Santa Marta durante o primeiro encontro dos presidentes, antecedido pela medida venezuelana de romper relações com a Colômbia em rechaço a acusações de Bogotá sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

 

"Decidimos que os dois países restabeleçam suas relações diplomáticas", disse Santos a repórteres após o fim do encontro.  "Eu e Chávez nos identificamos com a necessidade básica de garantir o bem-estar de nossos povos, e por isso vamos construir uma relação que seja durável".

 

"É um momento importante para a Colômbia e para as relações entre Colômbia e Venezuela. Eu comemoro muito este encontro no dia de hoje com o presidente Chávez, duas pessoas que tiveram, ou que tivemos, tantas frequentes diferenças, que decidiram virar a página e pensar no futuro de nossos países e nosso povos", declarou Santos.

 

Segundo o presidente colombiano, a partir de hoje, vai haver "um diálogo franco, direto, sincero, como devem ser todas as boas relações".

 

De acordo com Santos, Chávez se comprometeu "a não permitir a presença de grupos armados em seu território". "O presidente Chávez me reiterou hoje que não vai permitir a presença de grupos armados em seu território. Creio que esse é um passo importante para que as relações se mantenham sobre bases firmes".

 

Essa era uma das maiores demanda da Colômbia para normalizar os laços, rompidos por Caracas em 22 de julho após Bogotá denunciar na OEA a presença de líderes das Farc e do ELN na Venezuela, com o suposto aval do governo do país.

 

Chávez, por sua vez, disse que seu governo "não apoia nem apoiará grupos guerrilheiros. Isso é uma infâmia".

 

O líder venezuelano também declarou que "o novo caminho que estamos começando está sendo iluminado". Segundo Chávez, 90% das relações entre Colômbia e Venezuela nos últimos oito anos - período do mandato de Álvaro Uribe - foram boas.

 

Chávez afirmou que compareceu ao encontro para "virar a página". "Colocamos, como diria (o Libertador Simón) Bolívar, a pedra fundamental de nossa nova relação. Agora temos que cuidar dela", acrescentou o venezuelano.

 

O venezuelano insistiu que "a revolução bolivariana que está em marcha na Venezuela não constitui nenhuma ameaça para a Colômbia, ao contrário, convém à Colômbia uma Venezuela sólida".

 

Santos expressou, pouco depois de assumir a presidência no sábado, sua disposição em resolver o conflito iniciado no governo de seu antecessor, Álvaro Uribe, marcado pelas tensas relações com a Venezuela.

 

As relações entre os dois países já estavam congeladas há um ano, como represália de Chávez a um acordo firmado entre Colômbia e Estados Unidos que permitia o uso de bases militares colombianas por parte de Washington.

 

Comissão

 

De acordo com uma declaração conjunta emitida ao término do encontro, ambos os governos decidiram "avançar em benefício dos dois povos", especialmente nas áreas de fronteira.

 

Para isso, decidiram criar cinco comissões de trabalho para pagar a dívida e incentivar as relações comerciais; assinar um acordo de complementação econômica; desenvolver o investimento social na zona fronteiriça; desenvolver infraestrutura de forma conjunta; e garantir a segurança da fronteira.

 

Com estes mecanismos, o objetivo é "prevenir a presença e ação de grupos armados à margem da lei" e "aumentar a presença de ambos os Estados na zona de fronteira".

 

Este processo será acompanhado pela União de Nações Sul-americanas (Unasul), cujo secretário-geral, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, foi mediador nesta crise e participou da decisiva reunião de hoje.

 

Atualizado às 21h16

 

Com AP, Reuters, Efe e AFP

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