Chávez está 'trabalhando' depois de cirurgia em Cuba--aliados

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a trabalhar em questões governamentais em Cuba, depois de uma cirurgia bem sucedida por conta de uma suspeita recorrência de um câncer, informaram aliados nesta quinta-feira.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

01 de março de 2012 | 17h53

Apesar da avaliação otimista dos ministros sobre o estado de saúde do líder socialista de 57 anos, persistem os rumores de que sua condição pode ser muito pior que a versão oficial.

Isso teria fortes implicações para o membro sul-americano da Opep, uma vez que Chávez tenta a reeleição em outubro e já disse que gostaria de comandar o país por outra década ou duas.

Além disso, muita coisa está em jogo para a região. Cuba, Nicarágua e outros governos de esquerda no Caribe e América Central dependem dos subsídios de petróleo e outros benefícios do governo de Chávez.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza, disse que Chávez, que teve um possível tumor maligno removido no começo da semana, reuniu-se com vários membros do gabinete na noite de quarta-feira para discutir o progresso dos planos de bem-estar social do governo.

"Eu saí de uma reunião de trabalho com o presidente-comandante", disse ele via Twitter, o meio preferencial de comunicação de Chávez e seus aliados seniores nos últimos dias.

Na quarta-feira no final da tarde, Chávez quebrou o silêncio desde que foi para Havana na semana passada, para enviar saudações à Venezuela.

"Aqui vou eu, voando como o condor!", escreveu ele em uma de uma série de mensagens otimistas no Twitter, supostamente de seu quarto no hospital Cimeq, em Havana, onde acredita-se que ele esteja sendo tratado.

Com os resultados dos testes sobre o material extraído de Chávez durante a cirurgia devendo sair nos próximos dias, alguns jornalistas pró-oposição de dentro e fora da Venezuela vêm citando fontes médicas dizendo que o câncer do líder pode estar em metástase e ele pode correr risco de vida.

O governo os chama de desestabilizadores de direita, mas detalhes sobre as condições de Chávez são escassos.

Tendo prosperado com a imagem de força e energia desde sua primeira vitória presidencial em 1998, Chávez sofreu um golpe no ano passado com a descoberta de um câncer na pélvis.

A credibilidade dele também foi abalada desde que ele anunciou no final do ano passado que estava completamente recuperado, mas teve que retornar a Havana para mais cirurgia no que ele descreveu como uma possível lesão cancerígena na mesma área.

Não há informação sobre quando Chávez retornará, o que tem provocado pedidos da oposição pela nomeação de um substituto.

O rival do líder venezuelano nas eleições de 7 de outubro é Henrique Capriles, um governador de 39 anos que espera atrair os eleitores de Chávez com a promessa de um governo de "esquerda moderna" ao estilo brasileiro.

(Reportagem adicional de Mario Naranjo)

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