Chávez faz campanha 'virtual' para reeleição na Venezuela

A voz de Hugo Chávez ressoa pelos alto-falantes cantando o hino nacional venezuelano. Um boneco em tamanho real do presidente socialista dança no palco. Seu rosto aparece em centenas de camisetas e chapéus dos eufóricos seguidores em vermelho.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

05 de junho de 2012 | 14h38

Contudo, no último comício eleitoral do governo, em uma praça colonial renovada no coração da maior favela de Caracas, o próprio homem estava longe de ser visto.

A batalha de Chávez contra o câncer vem mantendo o líder fora das ruas durante a tumultuada corrida para a eleição presidencial de 7 de outubro na Venezuela, mas sua enorme personalidade está estampada em todas as reuniões dos seus partidários.

"Sem a sua presença física, estamos simplesmente redobrando nossos esforços", disse Armando Marenco, um militante partidário de Chávez que ajudou a organizar dois ônibus para levar cerca de 100 pessoas para a favela Petare para ver uma equipe regional de campanha tomar posse.

"Acreditamos que ele vai sobreviver. Mesmo que ele não consiga, o 'chavismo' vai viver sem ele. Nós, o povo, somos Chávez. Ele não é mais um só homem", acrescentou Marenco, resumindo o sentimento quase religioso em relação a Chávez entre seus principais seguidores.

Na praça, figurões do governo subiram ao palco invocando as palavras de Chávez. Mais cedo, um rapper aqueceu a multidão com uma música recém-adaptada: "Es sano, es sano, levantame la mano!" ("Ele está saudável, ele está saudável, levante a mão!")

O carismático líder de 57 anos por muitos anos tem sido um dos maiores ativistas eleitorais da América Latina.

Depois de ser perdoado após uma tentativa de golpe e libertado da prisão em 1994, ele caminhou pelas ruas da Venezuela por quatro anos e o seu carisma popular original e mensagem revolucionária acabaram levando-o para uma improvável vitória na eleição presidencial de 1998.

No poder, a energia notável de Chávez o levou a cruzar o país, fazer uma maratona de discurso após discurso, e reunir multidões em um frenesi para ajudar a ganhar diversas eleições.

Desta vez, porém, Chávez tem dependido até agora de uma campanha "virtual" -uma onda de mensagens no Twitter, algumas aparições na TV e rádio, e ocasionais aparições curtas- enquanto aparentemente seguia as ordens dos médicos para descansar.

O perfil mais contido de Chávez tem transferido para os aliados, como o vice-presidente, Elias Jaua, o presidente do Congresso, Diosdado Cabello, e o ministro de Relações Estrangeiras, Nicolas Maduro, o trabalho de liderar comícios na ausência do grande homem.

Na falta da popularidade de Chávez e de suas retóricas -e temendo qualquer protagonismo evidente que poderia implicar que eles próprios estão de olho no cargo mais alto- eles geralmente repetem frases e ideias do líder.

"É como Jesus Cristo e seus apóstolos", disse Leonardo Agualimpias, um pintor de 46 anos de idade, observando Jaua fazer uma dancinha com um rapper que era uma pálida imitação das famosas aparições de Chávez com dança e cantoria em tais comícios.

"Obviamente, a paixão e fervor que Cristo iria produzir numa pessoa é maior do que a de seus apóstolos. Mas, não interpretem isto mal. A oposição pensa que sem a presença de Chávez na campanha, a eleição vai ser fácil. De jeito nenhum. De qualquer forma, Chávez estará de volta em breve, você vai ver."

Mas será que ele vai? Chávez disse que terminou a radioterapia no mês passado, mas deu poucos detalhes, e ninguém sabe sua condição plena além de um pequeno grupo de médicos e confidentes.

Enquanto ele e partidários do governo informam que ele está se recuperando bem, persistem rumores de que ele está perto da morte após três operações para remover dois tumores malignos no ano passado.

Na semana passada, o jornalista norte-americano Dan Rather procurou sustentar as especulações dizendo que uma fonte próxima a Chávez havia informado que ele tem apenas alguns meses de vida.

"Foi dito a este repórter ... que Chávez tem rabdomiossarcoma metastático, um câncer agressivo que 'entrou na fase final'", escreveu ele, enfurecendo partidários de Chávez, que disseram que o veterano repórter estava ecoando o pensamento positivo dos serviços de inteligência dos EUA.

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