Chávez faz maratona com candidatos a uma semana da eleição

Ameaçando oposição, presidente venezuelano usa alta popularidade a favor de chavistas em disputa regional

Agências internacionais,

16 de novembro de 2008 | 17h32

A campanha para as eleições regionais do próximo domingo na Venezuela entra na reta final com o presidente Hugo Chávez em uma maratona pelo país em apoio aos candidatos do governo. Com alto índice de popularidade, Chávez toma as rédeas da campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado no ano passado para reunir as várias legendas que o apóiam, e transformou a disputa eleitoral em um plebiscito sobre sua pessoa e a "revolução bolivariana." Veja também:Oposição busca virada sobre Chávez Foto: Efe Desde o estado Nueva Esparta, no leste, até seu estado natal, Barinas, no sudoeste, Chávez multiplicou seus discursos na liderança da máquina estatal, que procura mobilizar seu eleitorado. Em Barinas, o presidente venezuelano participou ontem à noite de um comício em apoio a seu irmão, Adán Chávez, candidato à sucessão do pai dos dois, Hugo de los Reyes Chávez, ao final de seus oito anos de governo estadual. "Em Barinas (...) não há espaço nem para a oposição velha nem para a oposição nova, pois são a mesma coisa", declarou Adán, que deverá enfrentar um dissidente do chavismo, além de candidatos da oposição tradicional, para alcançar a vitória no próximo domingo. Um cenário similar se apresenta em outros estados do país ou em municípios, onde aspiram a eleição de candidatos anteriormente afins ao governo que não responderam ao chamado à união sob o estandarte do PSUV. "Mais que dissidentes, são traidores", afirmou em declarações à Agência Efe o ministro da Comunicação e Informação venezuelano, Andrés Izarra, ao se referir a estas candidaturas nas eleições, nas quais 17 milhões de venezuelanos irão às urnas para elegerem 22 governadores, 328 prefeitos e 233 deputados estaduais. O PSUV espera tirar da oposição os sete Governos estaduais que controla atualmente, que venceu nas eleições de 2004 (Zulia e Nueva Esparta) e outros cinco cujos dirigentes, eleitos pela plataforma chavista, se desvincularam de Caracas posteriormente. Outros prevêem que o PSUV pode perder entre quatro e oito estados, além de Prefeituras como a de Maracaibo, capital de Zulia, para a qual se candidatou o dirigente oposicionista Manuel Rosales, governador em fim de mandato do estado, ex-candidato à Presidência da Venezuela e derrotado por Chávez em dezembro de 2006. Partidos das duas plataformas convocarão grandes atos nos próximos dias, antes do final da campanha, na próxima sexta, nos quais poderá transmitir a seus candidatos a popularidade que continua mantendo entre os eleitores. Ameaças O discurso do presidente venezuelano está se radicalizando com a proximidade das eleições regionais, que acontecem no próximo dia 23. "Se vocês permitirem que a oligarquia volte ao governo (regional), talvez eu acabe usando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e o povo", disse Chávez num discurso no Estado de Carabobo, um dos mais populosos do país, após reconhecer que seu candidato não é o primeiro nas pesquisas. "Pátria ou morte é o lema." Anteriormente, o líder da oposição venezuelana, Manuel Rosales, acusou Chávez de manter uma "guerra suja" e lamentou que o presidente, em vez de fazer uma campanha eleitoral para ganhar as disputas locais, esteja tentando desprestigiar os candidatos rivais. Se em 2004 aliados de Chávez venceram em 21 Estados venezuelanos, além de levarem o governo do distrito da capital, dessa vez se espera que os opositores consigam de 3 a 8 Estados - alguns deles muito significativos como Carabobo e Sucre, além de Zulia. "(Os opositores) querem ganhar uma dúzia de Estados estratégicos e declarar autonomia, como fez a oligarquia boliviana com Evo Morales", acusou o presidente. "É isso que querem fazer em Zulia e Sucre - converter tais regiões em republiquetas." Chávez já recorreu à ameaça em outros processos eleitorais. Segundo a oposição, o objetivo é criar um ambiente polarizado e tenso, fazendo com que muitos eleitores prefiram ficar em casa no dia da votação. Do resultado das eleições do dia 23 dependerão as condições que o presidente terá para avançar em sua "revolução socialista", freada pelo veto a uma reforma da Constituição, no plebiscito do dia 2 de dezembro.

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaChávez

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.