Chávez faz mistério sobre nome de próximo ministro da Economia

O presidente da Venezuela,Hugo Chávez, deixou o país sem saber qual será seu novoministro da Economia ao não divulgar o nome do escolhido para ocargo em um discurso de várias horas proferido na quarta-feirae que, segundo afirmou, seria usado para fazer esse anúncio. O jornal El Nacional informou antes do discurso que opresidente havia escolhido um diretor de médio escalão do BancoCentral venezuelano, José Rivas, para substituir Rafael Isea,que deixará o cargo a fim de participar das eleições queocorrem ainda neste ano. Uma importante autoridade familiarizada com a questãotambém disse à Reuters que, no começo desta semana, parecia serbastante provável que Rivas recebesse a incumbência. Mas osilêncio de Chávez gerou dúvidas a respeito de quem será seunome chefe da área econômica -- o nono a assumir o cargo desde1999. Na semana passada, economistas citaram o nome de doisex-ministros das Finanças, Nelson Merentes e José Rojas. Apesar de os investidores acompanharem com ansiedade aescolha de um novo ministro das Finanças nos mercadosemergentes, economistas não prevêem qualquer mudança de peso aser realizada pelo novo titular da pasta, e isso porque o cargopossui pouca influência. Na Venezuela, cabe ao presidente tomar as decisões maisimportantes e, oficialmente, ao ministro do Planejamentodeterminar a política econômica do país. Ex-ministros daEconomia dariam conselhos a Chávez a respeito da condução dapasta, afirmam especialistas. Em busca de pistas envolvendo a futura escolha dopresidente, surgiram análises sobre quem estava sentado onde nomomento do discurso. Um vice-ministro da Economia, Alejandro Andrade, ocupavauma cadeira nas primeiras fileiras da platéia. Questionado pelaReuters sobre se seria o novo encarregado do posto, Andraderecusou-se a responder alegando que os membros do governo nãopodem se manifestar a respeito antes do anúncio oficial. Rivas tampouco quis falar sobre o assunto. Se os dois pretendem ser escolhidos, é uma sábia decisãomanter-se afastado dos holofotes. Alguns anos atrás, FranciscoFaraco era o favorito para chefiar o Banco Central. No entanto,depois de vir a público afirmar a repórteres que Chávez haviaperguntado a ele se desejava o cargo, Faraco viu o presidentemudar de idéia e escolher outra pessoa. O atual ministro da Economia, que ingressou no gabinete degoverno no começo do ano, supervisionou um programa responsávelpor desvalorizar o bolívar (moeda venezuelana) no mercadoparalelo de câmbio e ajudou a combater os surtos periódicos dedesabastecimento vistos no país. Mas o ritmo de crescimento da economia diminuiu nesseperíodo, atingindo seu menor patamar desde 2003, e a inflaçãovenezuelana continua a ser uma das mais altas da América Latinaenquanto Chávez esforça-se, neste ano de eleições, por dividirentre a população os benefícios gerados pelo boom do petróleo. Chávez usou seu discurso de quarta-feira para anunciar aeliminação de um imposto incidente sobre transações financeirase para tornar menos rígidos alguns controles referentes à moedado país. (Reportagem de Patricia Rondon)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.