Chávez garante que país não tem aspirações armamentistas

Em entrevista, presidente da Venezuela diz que deseja manter-se na presidência o tempo que o povo quiser

Efe,

25 de setembro de 2009 | 05h12

O líder da Venezuela, Hugo Chávez garantiu nesta sexta-feira, 25, que seu país não tem aspirações armamentistas e que não tem intenções hostis para com a Colômbia. Chávez cedeu uma entrevista ao programa Larry King Live, da rede de televisão CNN, durante a missão de seu país nas Nações Unidas, em Nova York. O líder venezuelano também assegurou que deseja manter-se na Presidência de seu país "o tempo que meu povo quiser".

 

Chávez abordou temas como sua política petrolífera, suas relações com o presidente de EUA, Barack Obama, passando por sua amizade com o ex-presidente cubano Fidel Castro.

 

Também reiterou sua denúncia de que o 'Império' norteamericano esteve por trás de uma tentativa de assassiná-lo. “A ordem saiu da Casa Branca e vi meus assassinos", disse Chávez, ao afirmar que também houve tentativas similares contra o ex-presidente chileno Salvador Allende e contra Ernesto Che Guevara.

 

Chávez se referiu a denúncias formuladas pela secretária de Estado norteamericana, Hillary Clinton, sobre uma corrida armamentista no continente suscitada pela compra de armas de seu país.  "Está totalmente perdida em sua análise. Deveria estar preocupada com a pobreza neste país e a falta de seguros", destacou o venezuelano.

 

Além disso, ele acrescentou que o orçamento de defesa de seu país é um dos mais baixos do continente e comparou com o orçamento da Colômbia, que é 10 vezes superior. Porém, ele apontou que a "Colômbia não deveria preocupar-se. Nós queremos paz com esse país".

 

No entanto, Chávez expressou que a Venezuela se sente ameaçada pela presença do exército americano em bases na Colômbia.  "Venezuela tem a maior reserva de petróleo (no continente) e Venezuela tem que se defender", manifestou.

 

O líder da Venezuela explicou que está comprando armas da Rússia, porque “todos os países têm um sistema de defesa" . Ele disse ainda que a ideia de que a Venezuela está interessada no desenvolvimento de armas nucleares é loucura.  Segundo Chávez, o interesse real do país é a energia nuclear como uma alternativa de energia.

 

Dois visões sobre Barack Obama

 

Chávez manifestou duas visões sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.  "Temos um Obama que fala de paz. Isso aceitamos", assinalou o presidente. "Mas há outro Obama, o que promove a guerra usando a presença de militares e bases na América do Sul", completou.

 

O presidente também expressou que os Estados Unidos deveria retirar o embargo contra Cuba e qualificou Fidel Castro como "um pai" e um visionário que foi seu mentor político.  Ao mesmo tempo, negou que seja um comunista. "sou um socialista", disse.

 

O presidente venezuelano destacou que a Venezuela e o Irã têm muitas coisas em comum e que não pretende comentar a situação iraniana. Por outro lado Chávez contestou que suspenderia as exportações de petróleo aos Estados Unidos, devido às tensas relações com Washington. "Não suspenderia as exportações... Se não o fiz durante o governo do ex-presidente George W. Bush", concluiu.

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