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Chávez ignora pedido de Lula e ataca EUA na Unasul

Presidente venezuelano diz que governo americano quer expandir 'mobilização de guerra' para a região

Marina Guimarães, Agência Estado

28 de agosto de 2009 | 13h14

Em seu longo discurso no início da cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou o governo dos EUA de ter objetivos de "mobilização de guerra" ao expandir bases norte-americanas na Colômbia. Com isso, Chávez praticamente ignorou pedido feito horas antes pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - e revelado à Agência Estado por fonte do governo brasileiro - para que moderasse o tratamento das discussões sobre o assunto.

 

Durante seu discurso, Chávez exibiu um documento intitulado "Livro Branco de Comando de Mobilidade Aérea e Estratégia Global de Base de Apoio do Governo dos EUA". Segundo o presidente venezuelano, o documento deixa claro os objetivos de "mobilização de guerra" por parte dos militares norte-americanos. Chávez afirmou que a estratégia no documento "estabelece um lugar no território latino-americano que possa ser usado tanto para combater o terrorismo, quanto para mobilização militar". Dessa forma, o presidente da Venezuela contestou os argumentos do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, de que o acordo com os EUA "visa apenas uma ajuda à Colômbia no combate ao narcoterrorismo, sem renunciar à soberania colombiana".

 

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Antes, em seu discurso, Uribe também havia atacado Chávez indiretamente, ao dizer que, na Colômbia, "a liberdade de expressão e a imprensa são respeitadas". Era uma referência ao tratamento que Chávez dispensa aos meios de comunicação na Venezuela, onde mais de 30 emissoras de rádio e televisão foram fechadas recentemente. Uribe também reivindicou aos membros da Unasul que reconheçam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como grupos "narcoterroristas, como reconhecem a Europa e os EUA". "Nos preocupa que a América Latina não reconheça este grupos como terroristas e que alguns países os tratem como aliados em seus territórios", completou Uribe.

 

Após a fala de Chávez, o presidente do Equador, Rafael Correa, que exerce a presidência pro tempore da Unasul propôs que o documento apresentado pelo colega venezuelano seja analisado detalhadamente pelo Conselho de Defesa da Unasul. Após isso, a Unasul solicitaria uma reunião com o presidente norte-americano, Barack Obama, para explicar o conteúdo do documento. "Não posso aceitar que um documento do governo dos EUA nos trate como quintal deles, onde podem instalar base militar, tanto para mobilização, quanto para combate contra drogas. Estou muito preocupado com esse documento e creio que no século XXI isso é inaceitável", afirmou Correa.

 

O presidente peruano, Alan García, que apoiou o acordo de Uribe, propôs que o Conselho Sul-Americano de Defesa possa inspecionar bases militares na região. "Se a presença militar se circunscreve à esfera colombiana, não considero de enorme gravidade". No entanto, ele afirmou que se inclinaria a "repudiar" tal tratado se este fizer parte de uma estratégia de vigilância e ação continental, como afirmam os governos de Venezuela e Bolívia. Por isso, pediu ao seu par colombiano, Álvaro Uribe, que esclareça o seu alcance.

 

Nesse sentido, pediu que a Unasul se comprometa a analisar todas as compras e os acordos militares dos países da América do Sul, entre si e com nações fora da região, com a realização de inspeções. García chegou ainda a brincar com Chávez, que antes havia falado dos interesses norte-americanos pelo petróleo da América do Sul. "Homem, você vende todo o petróleo aos Estados Unidos", disse, logo esclarecendo que se tratava de uma brincadeira.

 

 

O pedido de Lula a Chávez, de moderação no tratamento do caso das bases norte-americanas na Colômbia, tinha sido feito durante café da manhã reservado que ambos tiveram, por 40 minutos, na suíte do luxuoso hotel onde estão hospedados os 12 presidentes que participam do encontro da Unasul. Lula pediu a Chávez, segundo a fonte, que não provocasse divisões na região. "O presidente (Lula) defendeu que não haja nenhum movimento que possa deixar um ou outro país isolado dentro da Unasul", disse a fonte do governo brasileiro.

 

(Com Ansa)

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