Chávez inicia abaixo-assinado pela sua reeleição

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tornou-se na quinta-feira o primeiro venezuelano a aderir ao abaixo-assinado por uma emenda constitucional para eliminar os limites à reeleição presidencial. Embora a Assembléia Nacional, dominada pelo chavismo, já tenha iniciado os trâmites da emenda, seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) iniciou uma coleta simbólica de assinaturas para respaldar a reforma. O presidente costuma dizer em seus discursos que "o povo" clama por sua permanência, embora uma reforma levada a referendo em 2007, que ampliaria os poderes de Chávez e lhe permitiria infinitas reeleições, tenha sido rejeitada. "Estou convocando o poder constituinte, originário, nas comunidades, nas paróquias (...). Os que queiram pátria, que venham comigo", disse Chávez após assinar com tinta vermelha uma planilha do PSUV, numa praça no centro de Caracas. Depois de uma década no cargo -- que ele completa em fevereiro --, Chávez diz estar disposto a governar por mais dez anos, para aprofundar a sua "revolução socialista". Adversários dizem que ele pretende se perpetuar no poder e instaurar um regime comunista no estilo cubano. "Hugo Chávez (...) é garantia de paz para todos os venezuelanos (...). É garantia de liberdades, é garantia de continuar levando adiante um país, nosso país, nada fácil na revolução (...). Na mudança, qualquer opção opositora é garantia de quê? De guerra, é garantia de violência, seria o caos para a Venezuela", afirmou Chávez numa rápida entrevista coletiva. Algumas pesquisas indicam que a maioria dos venezuelanos é contra a reeleição sem limites, uma proposta lançada pelo presidente logo depois de seu partido conquistar 17 de 22 governos estaduais e 80 por cento das prefeituras na eleição de 23 de novembro, embora tenha sofrido derrotas em algumas cidades importantes. A oposição considera a nova emenda ilegal, pelo fato e o assunto já ter sido submetido a referendo no atual mandato presidencial. Mas a Assembléia convocou para o dia 18 o primeiro debate sobre o projeto de emenda. A segunda discussão e a sanção devem acontecer em janeiro, e o referendo pode ser em fevereiro. Analistas dizem que Chávez apressou a reforma porque a crise econômica internacional pode abalar sua popularidade, pois afetaria o preço do petróleo e, portanto, os programas sociais do governo. Outro motivo seria a possibilidade de uma consolidação da oposição nos próximos meses. Um dos principais rivais de Chávez, o prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, candidato derrotado na eleição presidencial de 2006, foi indiciado na quinta-feira por enriquecimento ilícito pelo Ministério Público. Há algumas semanas, Chávez defendeu a prisão de Rosales, que declarou estar sendo "politicamente linchado". (Por Ana Isabel Martínez)

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