Chávez intensifica retórica militar em época eleitoral

O "comandante presidente" declarou "guerra econômica" contra a burguesia, mobilizou seus "batalhões eleitorais" e ordenou a seus candidatos que "ataquem" a oposição na eleição legislativa de setembro.

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

17 de junho de 2010 | 20h28

Na Venezuela, a linguagem política é à queima-roupa.

Hugo Chávez, militar reformado, apimenta cada vez mais o seu discurso com termos marciais, preparando-se para eleições que servem de termômetro para a sua ambição de disputar um novo mandato em 2012.

O "comandante presidente", como é chamado por seus partidários, está concentrando toda a sua artilharia política na burguesia venezuelana, à qual acusa de sabotar a sua "revolução socialista."

"A guerra é de morte. É a morte contra os valores do capitalismo," disse Chávez nesta semana.

Seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) está organizando as "Unidades de Batalha Eleitoral" para mobilizar os eleitores. Seus candidatos prestam juramentos aos gritos de "¡A la carga!" ("ao ataque").

Chávez, que quando era tenente-coronel comandou uma tentativa de golpe de Estado, em 1992, jamais largou totalmente a farda, apesar de ter sido obrigado por lei a deixar o Exército. Com frequência, ele usa a boina vermelha de paraquedista. Desde sua eleição, em 1999, ele colocou vários militares em postos-chave.

Até sua resposta aos problemas nacionais assume tons militares. Para enfrentar a crise energética que abalou sua popularidade, ele criou, por exemplo, o "Estado-Maior Elétrico."

Para Germán Flores, linguista da Universidade Católica Andrés Bello, que há uma década estuda os discursos chavistas, o presidente transformou o país numa "verbocracia."

"A Constituição diz que a língua oficial da Venezuela é o castelhano, mas é o 'idioleto' de Chávez," afirma o autor do livro "A Língua de Chávez." "Ele manda através da palavra," acrescentou.

A oposição diz que a linguagem "de quartel" acentua a polarização no país, já dividido a respeito do projeto socialista de Chávez.

Mas o deputado governista Juan Carlos Dugarte disse que a mensagem é eficiente. "É uma confrontação no terreno das ideias. As pessoas entendem essa linguagem e se identificam com ela. Do contrário, ele não teria tanto apoio."

Pouco mais de 11 anos depois de chegar ao poder, Chávez mantém uma popularidade próxima a 50 por cento, e as pesquisas indicam que seus seguidores manterão o controle do Parlamento nas eleições de setembro.

(Reportagem de Esteban Israel)

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