Chávez melhora condições de venda de petróleo ao Caribe

O presidente da Venezuela,Hugo Chávez, ofereceu nesta sexta-feira a países do Caribe e daAmérica Central a opção de pagar pelo já subsidiadofornecimento de petróleo com produtos locais, como banana eaçúcar. Durante cúpula com seus parceiros energéticos regionais, aPetrocaribe, Chávez voltou a atacar os Estados Unidos e outrospaíses ricos por desperdiçar recursos mundiais. "Começamos a criar uma nova geopolítica do petróleo que nãoestá a serviço do grande capital", disse Chávez em um discursono qual criticou a distribuição injusta de dinheiro entre ospaíses em desenvolvimento e as nações industrializadas. Principal adversário dos Estados Unidos na América Latina,apesar de a Venezuela ser um importante fornecedor de petróleopara os norte-americanos, Chávez deve inaugurar uma refinariacubana da era soviética que ajudou a reformar e que forneceráderivados do petróleo para os países da Petrocaribe, umainiciativa dele. Pelo acordo de 2005 que constituiu a Petrocaribe, os 15países-membros podem amortizar o impacto da alta dos preços dopetróleo adiando o pagamento de 40 por cento do combustívelfornecido pela Venezuela por até 25 anos, pagando juros deapenas 1 por cento. O grupo teve um aumento no número de membros para 17 nestasexta-feira, com a admissão de Honduras, um tradicional aliadodos EUA. Chávez reconheceu que a dívida dos membros da Petrocaribecom a Venezuela chegou a 1,16 bilhão de dólares em pouco maisde um ano de fornecimento, e deve chegar a 4,6 bilhões até2010. Ele propôs que as dívidas sejam quitadas com produtoslocais e serviços. "Nós propomos incluir em parte do financiamento das dívidasde petróleo um método de pagamento que inclui o fornecimento deuma série de produtos locais e serviços", disse ele. Esse modelo já é adotado com Cuba, que paga pelos 92 milbarris de petróleo que recebe por dia com os serviços demilhares de médicos cubanos que atendem à população carente daVenezuela. A Venezuela vende 53 mil barris diários de petróleo cru ede derivados para a República Dominicana, Jamaica, as ilhas doLeste do Caribe (Antígua e Barbuda, Dominica, São Cristóvão eNévis, e Santa Lúcia), Nicarágua e Belize. Mas pode dobrar essevolume se novas instalações forem construídas. "Esse esforço de cooperação sedimentou-se, estáfuncionando, e outros países desejam fazer parte dele, o quemostra sua força", afirmou na quinta-feira o ministrovenezuelano da Energia e do Petróleo, Rafael Ramírez. REFINARIA SOVIÉTICA Imagens de Chávez e de Fidel Castro saudaram o presidentevenezuelano em Cienfuegos, uma cidade portuária localizada a260 quilômetros de Havana. Como Fidel não aparece em públicodesde que ficou doente, em julho de 2006, coube a Raúl Castro,irmão dele e presidente em exercício, comandar a reunião comChávez. O presidente venezuelano conversou com Fidel durante duashoras e meia na quinta-feira, em Havana, relatou o jornalcubano Granma. Cuba já começou a receber carregamentos de petróleo para arefinaria de Cienfuegos, uma joint venture das petrolíferasestatais da Venezuela, PDVSA, e de Cuba, Cupet, com capacidadepara processar 65 mil barris de petróleo por dia. A instalação deixou de funcionar 12 anos atrás, após ocolapso da União Soviética, o que privou os cubanos dasremessas de petróleo subsidiado e de tecnologia, lançando opaís comunista em uma profunda crise. Ramírez disse que 166 milhões de dólares foram investidosna reforma da refinaria, que produzirá óleo combustível,diesel, gasolina e querosene de aviação para Cuba, Nicarágua,Belize e Honduras. "A refinaria integra a logística da Petrocaribe", afirmouRamírez. "Estamos ajudando a romper o bloqueio contra Cuba",disse, referindo-se às sanções comerciais impostas há 40 anospelos EUA. A joint venture pretende expandir sua capacidade de refinopara um total de 109 mil barris por dia até 2010, a um custo de1,3 bilhão de dólares.

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