Chávez militariza porto de maior movimentação econômica

Primeira instalação ocupada por soldados é responsável por 80% da matéria-prima para a indústria do país

Agências internacionais,

17 de março de 2009 | 08h34

CARACAS - Horas após o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenar a ocupação militar dos três principais portos venezuelanos administrados por opositores, o Exército tomou os principais acessos e instalações portuárias do Estado de Carabobo. O Porto Cabello é o de maior movimentação econômica da Venezuela. Por ele entram 80% da matéria-prima para a indústria e quase todos os alimentos importados pelo país. Em 2007, o porto arrecadou cerca de US$ 35 milhões em impostos, segundo dados oficiais.

 

O Porto de Maracaibo é o mais moderno do país e o Porto de Porlamar, no Estado de Nova Esparta, é a principal porta de entrada para os turistas que vão à Ilha Margarita. Em Porto Cabello, cerca de 300 militares ocuparam as instalações. Segundo o jornal El Universal, as Forças Armadas estão no local "ajustando alguns detalhes para tomar a instalações do porto, pois foi a decisão do presidente e deve ser cumprida". Segundo oficiais, a ordem vai "muito além" da custódia das instalações do porto em Carabobo, e devem ainda ser vigiados o controle operativo do local.

 

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Chávez anunciou no domingo a centralização do controle dos portos de Maracaibo, Cabello e Porlamar. O presidente ordenou que o Exército tomasse os terminais depois da aprovação de uma norma legislativa que reverteu parcialmente a Lei de Descentralização. Além de permitir o controle de portos, aeroportos e estradas, a legislação autoriza a intervenção nos bens e prestação de serviços públicos - o que afetaria as finanças regionais.

 

Os governadores e prefeitos de oposição na Venezuela pediram na segunda ao Tribunal Supremo de Justiça que suspenda a ordem do presidente Hugo Chávez para que o Exército tome o controle dos três principais portos venezuelanos. "Ninguém compreende o motivo da aplicação de força", disse o governador de Carabobo, Henrique Salas Feo, ao apresentar-se no tribunal para pedir a suspensão da tomada do Porto Cabello.

 

O governador do Estado de Zulia, Pablo Pérez, também desafiou a ameaça de prisão feita por Chávez contra os governadores que não aceitassem a intervenção. "Não temos medo, podem ter tanques e fragatas, mas nós temos a união do povo", disse Pérez ao defender o controle regional sobre o Porto de Maracaibo, principal porta de saída para o petróleo produzido no país.

 

"A economia de Zulia será seriamente afetada com a medida porque a renda do Estado vem, em sua maior parte, da exportação do petróleo", afirmou Omar Noria, analista da Universidade Simón Bolívar. Segundo ele, a infraestrutura dos Estados onde estão localizados os portos sofrerá com a medida. "A renda para a manutenção dos setores de saúde, segurança e empregos diminuirá." O articulista do jornal El Nacional Fausto Masó acredita que os efeitos da decisão de Chávez dependerão da reação dos opositores: "A oposição precisa se unir e deixar de ter medo do presidente."

 

(Com Renata Miranda, de O Estado de S. Paulo)

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