Jorge Silva/Reuters
Jorge Silva/Reuters

Chávez minimiza vitória da oposição venezuelana em eleição

Presidente nega que perda da maioria absoluta represente ganhos para o antichavismo

estadão.com.br

27 de setembro de 2010 | 21h02

 

CARACAS- O presidente de Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta segunda-feira, 27, que o governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) conseguiu 98 das 165 cadeiras da nova Assembleia Nacional, ficando a um assento dos três quintos necessários para outorgar ao líder poderes especiais para legislar por decreto.

 

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A oposição, por sua vez, teria conseguido 65 cadeiras, ou 40% do Parlamento. Os outros dois assentos são de parlamentares independentes.

 

Mesmo assim, Chávez disse que seu partido venceu em 56 dos 87 circuitos eleitorais, ganhando "voto a voto" em 18 dos 24 estados.  "Dos 87 circuitos, nós ganhamos em 56 deles, o que é 64% das circunscrições eleitorais, enquanto eles (opositores) ganharam 36% apenas".

 

"Sem dúvida o governo obteve uma importantíssima vitória no dia de ontem, mas aí estão os magos do mundo ao revés", afirmou o presidente em um encontro com jornalistas, chamando de "mentira e manipulação" análises de especialistas que veem a perda da maioria absoluta por Chávez como um triunfo oposicionista.

 

Ainda segundo Chávez, seu partido alcançou 5,42 milhões de votos, contra 5,32 milhões da oposição. Apesar da diferença de apenas 100.000 votos, o governo ficou com 60% da Assembleia Nacional graças ao polêmico sistema proporcional de distribuição de votos.

 

"Os novos partidos e partidinhos, porque na realidade todos os são, que nasceram dos cadáveres ambulantes da Quarta República e andam por ali, têm se saído bons alunos daqueles grandes professores da escola do mundo ao revés", insistiu.

 

Para o presidente, a "campanha" para convencer a população que a oposição venceu tem como objetivo "criar matrizes de opinião por parte da burguesia apátrida e subordinada ao imperialismo".

 

O governo buscava manter a maioria absoluta na casa, de pelo menos dois terços das cadeiras do Parlamento, para poder avançar com as reformas do projeto da revolução bolivariana, sem ter de negociar com a oposição.

 

O resultado é uma "derrota" para governo, na opinião do analista político Javier Biardeau, professor da Universidade Central da Venezuela. "É uma derrota política que aponta mudanças no perfil político com que se vinha governando", afirmou.

 

"É um dos piores cenários para o governo. Voltamos a uma conjuntura semelhante à de 2002", quando a Venezuela viveu o auge da crise política que derivou no golpe de Estado de abril daquele ano, afirmou Biardeau à BBC Brasil.

 

Com jornal El Universal e agências Reuters e BBC

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