Chávez mira empresários contrários a reforma constitucional

Presidente reagiu com ameaça de confisco a pedidos de resistência à população venezuelana pela Fedecaramas

Associated Press,

27 de novembro de 2007 | 19h23

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou confiscar os bens dos empresários que incitarem manifestações contra sua proposta de reforma constitucional.   Veja também: Chávez diz que oposição contestará vitória em referendo Venezuela resiste a 'ataques de dentro e de fora' Venezuela retira embaixador na Colômbia após crise por reféns Especial: Tensão na América do Sul    As declarações foram feitas na noite de segunda-feira, 26, e têm como alvo os membros do principal sindicato patronal do país, a Fedecamaras.   Em meados de novembro, a entidade - que conta com milhares de pequenas e grandes empresas entre seus membros - classificou a proposta de reforma constitucional impulsionada por Chávez como um "ato ilegal" e incitou os venezuelanos a se oporem ao referendo para a aprovação das mudanças por "todos os meios possíveis".   "Quando eu vi e ouvi o presidente da Fedecamaras praticamente nos ameaçando, (dizendo) que irão fazer tudo o que puderem para evitar a aprovação da reforma - bem, caros, se vocês querem isso, vão em frente, porque eu irei levar tudos os negócios que vocês têm", disse Chávez em um discurso transmitido na noite de segundo.   Chávez acusa a entidade de ajudar a orquestrar o golpe que o tirou do poder por dois dias em 2002 - período no qual o então diretor da entidade Pedro Carmona autoproclamou-se presidente do país.   "Eu quero lembrar a todos que o Hugo Chávez de 2002 é história", continuou o líder bolivariano. "Não permitirei que o que aconteceu naquele período volte a acontecer, então se a Fedecamaras quer desafiar o país, vão em frente."   Chávez está em campanha para mudar 69 artigos da Constituição do país. Entre as medidas - já aprovadas pelo Parlamento do país - está a permissão para a reeleição indefinida do presidente e a criação de novas modalidades de propriedade.   Para grupos de oposição a Chávez, as medidas tem como objetivo concentrar o poder nas mãos do presidente.   Ainda não está claro, no entanto, como a ameaça de Chávez contra os empresários seria levada a cabo.

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