Chávez não reconhece expulsão de diplomatas de Honduras

Governo venezuelano afirma que ordem foi dada por autoridades ilegítimas instaladas no país após golpe

22 de julho de 2009 | 12h35

O governo da Venezuela não reconheceu nesta quarta-feira, 22, a ordem de expulsão de seus diplomatas de Honduras, por considerar que foi feita por autoridades ilegítimas instaladas no país centro-americano. O governo de facto de Honduras anunciou na véspera a expulsão da delegação diplomática venezuelana do país. Em uma carta dirigida ao embaixador da Venezuela, Armando Laguna, a vice-chanceler do governo de facto, Martha Lorena Casco, deu 72 horas para todos os membros do corpo diplomático, administrativo, técnico e de serviço da missão venezuelana deixarem Tegucigalpa.

 

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O governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ressaltou que "utilizará todos os recursos necessários para preservar a integridade de sua missão diplomática em Tegucigalpa e a do pessoal credenciado pelo governo constitucional de Honduras", que só reconhece como presidente o deposto Manuel Zelaya. Em comunicado oficial, Caracas pediu "aos funcionários públicos do Estado hondurenho que não conceda um tratamento desrespeitoso a qualquer membro da missão diplomática venezuelana em Honduras".

 

Caracas advertiu que, caso haja qualquer evento dessa natureza, os hondurenhos ficariam sujeitos "a uma violação grave à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, o que acarretaria responsabilidade internacional do Estado de Honduras". O governo de Chávez sustentou que "por não reconhecer, junto à comunidade internacional, as autoridades ilegítimas estabelecidas em Honduras, desconhece" a ordem das mesmas de expulsão dos representantes diplomáticos venezuelanos.

 

Os diplomatas venezuelanos são acusados de "intromissão em assuntos internos" e "ameaças de uso da força". "(A chancelaria hondurenha) em reciprocidade está retirando todo o pessoal da embaixada em Caracas", diz a carta. A expulsão foi anunciada num momento em que o governo deposto de Honduras e a comunidade internacional aumentam a pressão sobre os golpistas.

 

A amizade entre Zelaya e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, é apontada pelos militares hondurenhos como uma das razões para o golpe. Zelaya tentava promover em Honduras uma consulta popular sobre uma emenda constitucional que lhe permitiria se eleger novamente - caminho semelhante ao trilhado por Chávez na Venezuela. Além disso, Zelaya colocou Honduras na Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), de Chávez, e recebia petróleo subsidiado do líder venezuelano.

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