Chávez pede a Europa que tire Farc da lista de terroristas

Venezuelano diz que guerrilha é um "verdadeiro Exército"; Colômbia classifica pedido como despropósito

Agências internacionais,

11 de janeiro de 2008 | 15h24

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu que a Europa remova as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) da lista de grupos terroristas, para que elas sejam reconhecidas como um Exército,  como forças insurgentes colombianas. O governo de Bogotá afirmou que a proposta de Chávez é um despropósito e que o líder não pode fazer um pedido dessa natureza   Veja também: Libertação inicia 'corrida contra morte' Clara Rojas pode recuperar Emmanuel em até duas semanas Clara conta que tentou fugir das Farc com Ingrid Betancourt  Ex-refém diz que Farc mantêm militares acorrentados Para Farc, libertação abre possibilidade de paz Uribe agradece 'eficácia' de Chávez Galeria de fotos do resgate das reféns  Assista às imagens da libertação Saiba quem são as reféns Entenda o que são as Farc Cronologia: do seqüestro à libertação   Segundo o chefe de governo, este é o único caminho para livrar a Colômbia do conflito armado. As Farc e o ELN "não são terroristas, são verdadeiros Exércitos. Eles devem ser reconhecidos", disse Chávez, um dia após ter conseguido a libertação de duas reféns importantes mantidas pela guerrilha venezuelana. "eles são forças insurgentes com um projeto político", afirmou.   Chávez respondeu as declarações do ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, chamando-o de "antibolivariano e antichavista visceral", e que sente repulsa por ele. O presidente disse ainda estar disposto a retomar o diálogo com seu colega colombiano, Álvaro Uribe, para tratar de impulsionar um processo de paz nesse país, após as relações bilaterais passarem por sua pior crise recente quando Bogotá retirou Chávez do processo de negociação com as Farc, em novembro.   "Senhor presidente da Colômbia, quero retomar com você o diálogo, mas em um novo nível. Peço-lhe que comecemos reconhecendo as Farc e o ELN como forças insurgentes da Colômbia e não como grupos terroristas e assim peço aos governos deste continente e ao mundo", disse Chávez.   Vitória de Chávez   O presidente da Venezuela, que há pouco tempo enfrentou revezes em sua reforma socialista, obteve uma grande vitória política com a libertação das duas colombianas seqüestradas havia anos por rebeldes marxistas. O acordo aumenta as esperanças pela soltura de outras dezenas de reféns mantidos em cativeiro em acampamentos secretos na selva, como a ex-presidenciável Ingrid Bettancourt, e foi uma recompensa a Chávez, que foi duramente criticado devido a uma operação frustrada de buscar as reféns na véspera do Ano Novo.   Para alguns analistas, a reputação de Chávez saiu fortalecida, um mês depois da surpreendente vitória no referendo que ampliaria seus poderes. "Chávez pode dizer agora que é um líder regional comprometido com a paz", disse Michael Shifter, especialista em América Latina do centro de estudos Diálogo Interamericano.   Chávez levou as duas mulheres a Caracas e posou para fotos abraçado a elas, fazendo carinho no cabelo de Clara Rojas e segurando a neta de Consuelo González. O venezuelano prometeu ainda continuar trabalhando para soltar os reféns e convidou o governo colombiano e os líderes guerrilheiros a negociar em solo venezuelano. "Que comece um diálogo de paz, não só para liberá-los, que é o primeiro passo, mas para o segundo passo, que é a paz", disse ele. "Não baixe a guarda, presidente. Os que ficaram (seqüestrados) lhe mandam dizer isso, essa mensagem. O senhor está nos ajudando a voltar a viver", disse Consuelo González ao presidente.   Matéria ampliada às 19h30.

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